Ana Salazar democratiza a marca

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Com mais de 30 anos de história, a marca está intimamente associada à moda em Portugal. À tradição junta-se agora uma revolução no modelo de negócio, com a abertura ao franchising e o alargamento a novos públicos.

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Com mais de 30 anos de história, a marca está intimamente associada à moda em Portugal. À tradição junta-se agora uma revolução no modelo de negócio, com a abertura ao franchising e o alargamento a novos públicos.

Há apenas um ano, o grupo de investidores liderado por Luís Aranha, CEO e acionista da empresa, e João Barbosa, adquiriu a totalidade do capital da marca Ana Salazar. Num ano “implementámos um plano de crescimento que implicou contratação de novas equipas de estilo e vendas, novos fornecedores e, sobretudo, conseguimos garantir massa crítica para rentabilizar os investimentos feitos a médio prazo”, explica Luís Aranha.
A opção de expandir em franchising deu-se pela vantagem de “nos permitir controlar a imagem da marca e identificar de forma clara competências: conhecimentos de retalho do franchisado e o nosso conhecimento sobre o produto e o peso de uma marca com uma projeção internacional”.

Para Luís Aranha, a marca Ana Salazar distingue-se por ser “a única marca de peso e de estilista em Portugal com produtos 100% produzidos em Portugal”. Mantém-se o objetivo de garantir o “universo próprio, diferente e especial” da marca, mas ao mesmo tempo democratizá-la e fazê-la chegar a públicos mais abrangentes.

Nova marca para breve
Atualmente existem em Portugal cinco lojas próprias, em Lisboa, Cascais, Aveiro e duas no Porto, e até final do ano será aberta uma nova no Freeport. Franchisadas são três, em Lisboa, Porto e Faro. A expansão da marca passa por procurar parceiros nas ilhas e em cidades com “características ideais para a aceitação da marca”, relacionadas com critérios de densidade populacional, interesse turístico e distâncias mínimas entre as várias lojas, sendo que os mesmos são analisados caso a caso.

Ainda que deixe claro que o ritmo de expansão “depende da evolução dos próximos meses e da nossa capacidade financeira e organizacional”, Luís Aranha avança que até 2012, a marca pretende abrir até 20 lojas próprias e franchisadas em Portugal, das quais três nas ilhas.

A par, existe a intenção de internacionalizar o conceito através de franchising, sobretudo em Espanha, com a abertura de 30 a 40 lojas até 2015 (estão em curso negociações com o El Corte Inglés) Angola (três a quatro unidades), Moçambique (duas a três unidades) e Brasil.

Para além dos atuais produtos, como roupa e acessórios, está prevista a criação de uma sub-brand, entre o final de 2011 e o princípio de 2012, que representa “uma necessidade de diferenciar produto loja própria e franchisada e produto multimarca, que tem tickets médios diferentes e formas de tratamento próprias igualmente”, explica Luís Aranha. Outra intenção é lançar uma coleção para homem em 2012.

Para a concretização do plano de expansão da marca, este grupo investidor conta com parcerias estabelecidas com o BES, “o banco que mais acreditou nos nossos projetos”, e a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. “A AICEP tem ajudado a concretizar algumas das nossas ações, entre outras coisas através da aprovação do QREN de internacionalização, e é um potencial parceiro através da AICEP Capital para ajudar a criar o leverage financeiro necessário à expansão que prevemos”.

Franchising soft
O CEO da marca reconhece a opção por um conceito de franchising soft, onde não há uma “receita única”, nem em termos de decoração de loja, nem em termos de condições, “que deverão sempre ser ajustadas ao local e às características do nosso parceiro/franchisado”.

Assegurar uma boa escolha do parceiro e do local onde a loja será implantada é o fator crítico. De resto, Luís Aranha assegura que “tudo pode ser negociado”. Por regra, os produtos são fornecidos à consignação e são faturados semanalmente e pagos semanalmente em função das vendas. As promoções e saldos seguem princípios idênticos para lojas próprias e franchisadas e a intenção é “manter o princípio de igualdade, ou seja, o franchisado paga apenas 50% do valor da venda descontada ou a preço normal”.

Os direitos de entrada são de cinco mil euros e servem para “cobrir os custos de ligação ao sistema central e preparações diversas”, incluindo a formação, manuais e alguns equipamentos para o arranque da atividade.

Acrescem os custos com a remodelação e decoração da loja, que deverá ter entre 60 a 100 m2, excluindo a área de armazenagem, e que rondam os 10 a 40 mil euros. Os royalties são de 3% sobre o valor líquido das vendas e incluem custos com a publicidade. As embalagens e instrumentos de marketing são faturados a preço de custo.

O franchisador garante apoio em termos de procura de financiamento e admite mesmo entrar no capital enquanto sócio minoritário, assegura treino de 1 dia na empresa e de 2 a 3 dias nas lojas, e apoio em técnicas de vendas, sobretudo porque “numa marca como a nossa o relacionamento com o cliente é muito importante, porque o que se vende é o conceito e não o produto”. SANDRA COSTA