Crianças são um “grande potencial” para as marcas

As crianças são um dos públicos mais apetecíveis para as marcas, até porque hoje em dia os mais pequenos têm influência direta e indireta nas famílias. Como referiu o diretor do IPAM do Porto, "o marketing infantil não está só limitado ao mercado dos brinquedos. Está provado que as crianças são enormes influenciadoras em casa de compras". /images/textoimagens/fullsize/3454.jpg As crianças são um dos públicos mais apetecíveis para as marcas, até porque hoje em dia os mais pequenos têm influência direta e indireta nas famílias. Como referiu o diretor do IPAM do Porto, "o marketing infantil não está só limitado ao mercado dos brinquedos. Está provado que as crianças são enormes influenciadoras em casa de compras".

 

Por exemplo, a compra de um automóvel tem uma enorme percentagem da influência da criança". Daniel Sá explicou ainda que "as crianças são uma voz muito ativa em casa, aliás os estudos provam que uma boa parte do carrinho de compras é decidido em função das vontades delas. Quanto melhor as marcas perceberem isto, melhor vão atuar e melhores resultados vão ter".

O especialista ressalvou ainda que nos últimos dez anos as marcas começaram a perceber que não se podia aplicar os mesmos conhecimentos e as mesmas regras de marketing à população adulta e começaram a estudar o comportamento e a forma de pensar das crianças: "O que aconteceu nos últimos dez anos em Portugal foi que as marcas com este aumento de conhecimento começaram a desenvolver estratégias cada vez mais eficazes".

Para Daniel Sá, o segredo está em conhecer as crianças, ou seja, "no marketing utiliza-se muito as técnicas de pesquisa de mercado e, nos últimos anos, temos assistido ao aumento dessas técnicas no segmento das crianças".

Mas como são as crianças enquanto consumidoras? "Atentas, muitos informadas, funcionam numa lógica imediata, isto porque mudam de opinião rapidamente, as coisas passam depressa de moda. O segredo é tentar perceber o que vai ser moda dentro de meses", respondeu.

Aliás, uma das características que distingue os mais pequenos dos adultos é a genuidade, daí que "as marcas também consigam perceber melhor as intenções e as perceções e conseguem dirigir as suas ações de uma forma mais pura também", afirmou.

A administradora da BrandKey, Mónica Chaves, partilha da mesma opinião: "Como o segmento infantil é um segmento muito volátil, é necessário haver um estudo contínuo sobre os hábitos e comportamentos das crianças".

A organizadora do evento salientou mesmo que este é um mercado com "grande potencial, no entanto tem de ser bem trabalhado e muito cuidado para não ser explorado em exagero, há questões de ética a tomar em atenção".

Também o especialista David Buckingham que esteve presente no evento salientou a volatilidade deste mercado, sendo necessário por isso encontrar novas técnicas de marketing.

O professor do Instituto da Educação da Universidade de Londres e especialista em educação para os media alertou que é necessário entender como a publicidade influencia as crianças, mas também "como é que as forças comerciais o fazem", nomeadamente através do e-mail, redes sociais, telemóveis e jogos online, entre outras plataformas.
"É muito difícil perceber como é que estes meios podem ser regulados, mas os governos têm de definir linhas de orientação éticas", afirmou o orador. A mesma fonte acrescentou que as leis existentes no que toca à privacidade e à ética "não são suficientes com os novos media".

Durante o evento, a representante do Modelo e Continente, Esmeralda Mouro, apresentou o caso da Popota e da Leopoldina. Duas mascotes nascidas em tempos diferentes, a Leopoldina nasceu em 1992 e a Popota em 2003, que têm o objetivo comum de aproximar a marca Continente das crianças.

A Leopoldina, por exemplo, surge numa altura em que o Continente se quer aproximar mais do target infantil. Como referiu a responsável, em 2003 a mascote atinge "uma notoriedade que permite mobilizar crianças e adultos e surge assim a Missão Sorriso, que suporta-se até hoje na venda de produtos da Leopoldina", ou seja, a Leopoldina deixa de ser uma figura comercial e torna-se numa mascote social, como salientou a oradora. Também a Popota está ligado a uma causa social – é embaixadora da Causa Maior -, ou seja, a venda dos produtos da personagem urbana e cosmopolita reverte integralmente para esta causa.