A Reclamação: Uma oportunidade!
Só o nome mete medo, mas uma reclamação tem também um lado positivo. Obviamente que não devemos procurar aumentá-las, mas devemos olhar para elas como uma oportunidade.
Um verdadeiro problema é uma insatisfação que desconhecemos. Uma reclamação é uma insatisfação que está mesmo a pedir para ser invertida. Do total de clientes insatisfeitos só alguns reclamam, e os que o fazem são, provavelmente, alguns dos seus mais fiéis clientes. Reclamar dá trabalho, fazemo-lo quando estamos muito desapontados, mas sobretudo fazemo-lo com uma marca que é importante para nós. É um pouco como o feedback sincero, damo-lo aos nossos amigos, mas não damos a uma pessoa que conhecemos mal. Um cliente que lhe apresenta uma reclamação é porque se preocupa o suficiente com o seu negócio e com a relação comercial que tem, ou teve, consigo. Percepção versus Realidade
Um problema acontece quando o valor recebido foi abaixo do valor esperado e quando falamos em valor esperado estamos sempre a falar no campo das percepções. Por isso é importante perceber que para lidar com uma reclamação é necessário valorizar as percepções e não estar constantemente a insistir na "nossa realidade". Se preferir, a realidade que interessa naquele momento é apenas uma: A percepção do cliente. Quando um cliente diz que foi induzido em erro por uma expressão publicitária ou até por um comentário de um dos seus colaboradores, o caminho não é provar através da sua realidade (dos seus factos) que isso é um erro de interpretação. Não existe uma realidade, só existem várias percepções, e a percepção daquele cliente em particular é que interessa naquele momento. Como lidar com uma reclamação? Um aspecto importante a ter em mente é que a sua empresa controla TODAS as variáveis do processo de um cliente insatisfeito. Algo correu mal e o passado não se pode mudar, mas daqui para a frente é mesmo consigo e está nas suas mãos escrever o final da história. 1. Foque-se em socorrer o cliente, não se foque em salvar a venda. Um cliente que reclama está a pedir ajuda, esta é a sua oportunidade de deixar de ser o "vilão" e passar a ser o "heroi".
2. Reconheça que existe um problema ou uma necessidade. Não parta do princípio que o cliente está errado, a percepção do cliente é muito mais importante do que a realidade, por isso ouça a versão do cliente. Baixe a guarda e não se sinta pessoalmente atingido. 3. Estabilize a situação do ponto de vista emocional. O tom inicial de uma reclamação pode ser bastante agressivo, mas suaviza imediatamente quando o cliente percebe que está ali alguém que o ouve, o percebe e que está disposto a socorrê-lo. 4. Procure que a solução consiga gerar fidelização. Por exemplo, ofereça descontos ou brindes em próximos consumos. Algo que faça o cliente voltar e ter experiências mais positivas. 5. Aja com rapidez. Um descontentamento pode gerar um reclamação, a partir daí é um contra-relógio. Quanto mais tempo passar até o problema ser resolvido, menor será a probabilidade de recuperar o cliente e mais estragos pode causar à sua marca. No limite, um cliente insatisfeito, e cuja reclamação não é atendida de forma correcta e atempada, pode transformar-se num terrorista da sua marca com o mundo à distância de um clique. Independentemente da sua função na empresa a realidade é que não vai estar presente em todos os momentos da verdade das lojas. Como em tantas outras áreas, o fundamental é que a organização como um todo esteja bem preparada para responder de forma autónoma. Que haja um sistema e, mais importante, uma cultura organizacional focada no cliente.
Dê aos seus colaboradores autonomia (e formação) para poderem resolver reclamações numa fase ainda embrionária do descontentamento, encontrando soluções e tomando decisões. Ainda assim, anuncie que existe um sistema formal de tratamento das reclamações. Caso o cliente considere que o seu interlocutor do momento não lhe consegue resolver o problema, ele (o cliente) deverá sentir o conforto de que pode recorrer para mais alguma entidade. Caso essa entidade seja um Provedor do Cliente garanta que ele é independente da estrutura operacional da sua empresa com autoridade para averiguar situações que lhe são expostas e tomar decisões. Tenha um sistema de controlo das reclamações que lhe indique as várias incidências e as categorize.
Não tema as reclamações. Lide com elas como uma oportunidade para travar e inverter o insatisfação dos seus clientes, e monitorize-as para poder melhorar continuamente o seu serviço. E se um dia, por algum acaso, já não tiver reclamações, olhe bem para o seu negócio pois é provável que também já não tenha clientes. Fernando Mendes Consultor
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