As ‘havaianas’ portuguesas já são um caso sério de sucesso

São já consideradas as ‘Havaianas portuguesas’ e estão a fazer eco internacional, sobretudo devido ao design inovador que recorre a um dos materiais que mais tem levado o nome de Portugal além-fonteiras: a cortiça. Pedro Abrantes, empreendedor de 31 anos natural do Porto, conta como nasceu ‘ASPORTUGUESAS’, marca incubada pela Amorim Cork Ventures que apesar de estar a dar os primeiros passos é já um caso sério de sucesso.

Como nasceu ‘ASPORTUGUESAS’ e porque é que decidiu criar uns chinelos de cortiça?

Os chinelos surgem do meu sonho de criar e ter uma marca de calçado. Mas porquê a cortiça? Em primeiro lugar, porque já tendo trabalhado de alguma forma com este material [com as hortas caseiras iPlant] e conhecendo as suas características, identifiquei uma lacuna de mercado neste segmento em específico, que se prende com a falta de recurso a soluções eco-friendly.Em simultâneo, o lançamento desta coleção surge talvez num momento em que há mais conhecimento em torno do material e do seu potencial e maior perceção do mercado e do valor premium e aspiracional da cortiça. Considerei assim que estavam reunidas as condições para o desenvolvimento de uma coleção de flip-flops que, tirando partido da singularidade do material que a diferencia, se apresenta como trendy, versátil, descomprometida e sofisticada. As ‘ASPORTUGUESAS’ são um conceito ‘egofriendly’: cuidamos do status sem descurar o ambiente (guilt free consumption).

E porque é que lhes deu este nome [ASPORTUGUESAS]?

O nome da marca, ‘ASPORTUGUESAS’, tem origem em diversos valores que pretendemos transmitir nos nossos produtos. ‘ASPORTUGUESAS’ são fruto do meu sonho de criar uma marca de calçado capaz de, ao estar presente mundialmente, elevar o nome de Portugal, país onde nasce a coleção. O próprio material, a cortiça, que também tem levado o nome de Portugal ao mundo inteiro, faz com que a associação às portuguesas seja óbvia. Na sua essência, este projeto sempre teve por objetivo ser das Portuguesas (leia-se as mulheres portuguesas) para as Portuguesas. O processo de desenvolvimento do produto permitiu-nos desenvolver uma tipologia de flip-flop extensivo também ao público masculino.

Pedro Abrantes - AsPortuguesas - InfofranchisingQuanto investiu no lançamento do negócio?

Não é público.

Quais são os verdadeiros fatores diferenciadores da marca?

A diferenciação d’’ASPORTUGUESAS’ face a outros players do mercado começa desde logo pelas características do produto, dado que tem a cortiça como principal matéria-prima, uma solução de cortiça resistente à água. A partir deste material natural, com o apoio da Amorim Cork Ventures, foi concebido um design de sola inovador, que confere maior conforto no caminhar, sendo que a própria tira é mais ergonómica e confortável.  Foi ainda possível desenvolver uma solução que apresentasse uma maior resistência na ligação tira-sola, resolvendo um dos principais problemas de desempenho dos flip-flops, que providencia ainda uma forte aderência em pisos molhados. ‘ASPORTUGUESAS’ diferenciam-se ainda pelo posicionamento da marca, dirigida a um público essencialmente urbano e não ficando apenas associadas à praia. Dirigem-se a um público que é divertido e sofisticado, valoriza design e a qualidade dos materiais.

A marca tem relativamente pouco tempo, mas já é apelidada da ‘Havaianas portuguesa’. Como encara a reação positiva do consumidor?

Tínhamos obviamente a convicção que, tendo em conta todos os atributos que ‘ASPORTUGUESAS’ reúnem – sejam eles estéticos ou emocionais -, que este seria um produto muito acarinhado pelo mercado. No entanto, a verdade é que, mesmo assim, a recetividade foi ainda maior do que a que esperávamos.
O sucesso que estamos a assistir com o lançamento d’‘ASPORTUGUESAS’ reforça um dos motivos que esteve na base da constituição da startup EcoChic, da incubadora Amorim Cork Ventures, que é o facto de se ter considerado desde o início que este é um produto de abrangência internacional e que dá resposta a uma lacuna de mercado.

Como estão a correr as vendas e onde é que se podem comprar os vossos produtos?

Apesar de neste momento termos apenas vendas online, a acontecer somente no site da marcas também nesta vertente fomos positivamente surpreendidos. Mesmo sem especial esforço de comunicação fora de Portugal, ‘ASPORTUGUESAS’ foram alvo de interesse e aquisição em diferentes países.  Neste momento, estamos a enveredar esforços para, tanto no mercado nacional como internacional, cativarmos parceiros adequados que nos ajudem a impulsionar e a fortalecer a valorização d’’ASPORTUGUESAS’.

Estão já presentes noutros países?

Fisicamente ainda não é possível anunciar neste momento distribuidores fora de Portugal. No entanto, como já referi, já foram efetuadas vendas para fora do nosso país. Este é um produto com grande perfil de internacionalização, com países a aparecerem como prioritários nesta estratégia de crescimento de marca, como é o caso dos EUA, França e Itália.

Está nos vossos planos ter lojas físicas?

A curto prazo não. Além da venda online, estaremos em breve em condições de divulgar as lojas multimarca, em diferentes pontos do país, onde a coleção estará à venda.

Num futuro próximo, que outros produtos podemos esperar que a ‘ASPORTUGUESAS’ crie?

Está previsto o desenvolvimento de outros produtos que se irão enquadrar no mesmo estilo da marca ‘ASPORTUGUESAS’. No entanto, este é o momento de nos focarmos puramente nos flip-flops e na sua comunicação, dentro e fora de Portugal, o que nos permitirá cativar uma robusta rede de parceiros que será essencial para o sucesso sustentável da marca.

Artigo publicado na revista NEGÓCIOS & FRANCHISING