Lojas independentes ganham espaço no retalho nacional

Lojas independentes ganham espaço no retalho nacional

O setor do retalho nacional (alimentar e não alimentar) registou um crescimento nas vendas de 3,8% no primeiro semestre deste ano, atingindo um volume de negócios de 8 967 milhões de euros. De acordo com os dados divulgados esta terça-feira (29 de agosto) pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), o setor do não alimentar é o que apresenta um crescimento mais significativo (4,5%), para 3 727 milhões de euros, enquanto o setor do alimentar cresce 3,3%, para um total de 5 240 milhões de euros.

No alimentar, importa referir que a categoria de lacticínios começa agora a crescer, tendo registado uma ligeira evolução de 0,6% nos primeiros seis meses deste ano. De acordo com Ana Isabel Trigo Morais, Diretora-Geral da APED, esta dinâmica de crescimento, verificada depois de um longo período de quebras, pode explicar-se com o comportamento de diversificação e de transformação que a fileira tem vindo a adotar de forma a responder às necessidades dos consumidores.

A Diretora-Geral sublinha ainda o impacto de campanhas como a que foi promovida no final de 2016 pela associação e pela Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios (ALIP) com o objetivo de comunicar os benefícios nutricionais do leite.

Importa ainda referir que no alimentar, as categorias de Bebidas, Congelados e Perecíveis foram as que mais cresceram em vendas, no caso desta última, sobretudo devido ao aumento da oferta nas cadeias de grande distribuição.

Olhando para as quotas de mercado dos canais de distribuição, ficamos a saber que no primeiro semestre deste ano os supermercados continuaram a ser o canal com maior quota (49,8%), perdendo no entanto quota para os discounters, que ganharam 0,3 pontos percentuais e possuem agora 15,1%. Os hipermercados cresceram 0,4% e contam com 25,8% de quota.

Os dados avançados pela APED revelam também que as marcas de distribuição registaram um crescimento de 0,5% em termos de quota, para um total de 34,0%. As vendas efetuadas com atividade promocional, por sua vez, foram de 45,5%, um valor que a associação diz ver como um sinal “da dinâmica competitiva” do mercado.

No mercado não alimentar, por sua vez, a categoria que mais evoluiu em vendas foi a de equipamentos de telecomunicações, avançando cerca de 17,1% Seguem-se as categorias de grandes eletrodomésticos (10,1%) e de fotografia (7,7%).

Mercado de vestuário cresce 2,1%, mas consumidores gastam menos

Sobre o mercado de vestuário, uma novidade no barómetro de vendas da APED, ficamos a saber que no primeiro semestre deste ano registou um crescimento de 2,1 pontos percentuais para 914 milhões de euros.

Segundo a associação, este desempenho positivo revelou-se também no número de compradores, que cresceu 3%, e na frequência de compra, que avançou 3,5%. O preço médio do vestuário, por sua vez, caiu 0,8%, e o gasto médio por ato de compra também, em 6,2%.

Para além disso, o canal de distribuição que mais cresceu, entre janeiro e junho deste ano, foi o das lojas independentes, ao registar uma variação homóloga positiva de 9,1% do volume de vendas, e o segmento que apresentou o maior crescimento foi vestuário feminino com um aumento de 1,3 pontos percentuais de quota de mercado.

Outra das novidades do barómetro de vendas da APED são os dados relativos à venda de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM). De acordo com a APED, existem neste momento 588 pontos de venda (espaços de saúde) associados da APED.

Segundo a associação, os preços praticados nos espaços de saúde revelaram-se consideravelmente inferiores aos praticados nas farmácias. “Essa diferença foi de 11% no segundo trimestre de 2017 no que se refere ao top 5 de vendas de MNSRM”.

Para Ana Isabel Trigo Morais, diretora-geral da APED, seria agora importante que o Ministério da Saúde e os reguladores revissem o número de medicamentos não sujeitos a receita médica que podem ser vendidos na distribuição, por um lado para garantir “diversificação ao consumidor” que, na sua opinião “já tem um certo conhecimento em relação à utilização destes medicamentos”.

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