Sabe o que mudou no tecido empresarial português nos últimos dez anos?

Quer saber o que mudou no tecido empresarial português nos últimos 10 anos? A Informa D&B analisou as dinâmicas dos nascimentos, encerramentos e insolvências da década de 2007- 2016 e apresentou esta semana um retrato das dez alterações na dinâmica do tecido empresarial português durante este período. Entre os destaques surge o Retalho, que lidera agora no número de novos processos de insolvência, tendo ultrapassado Indústrias Transformadoras.

De acordo com Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B, “as conclusões do estudo que realizámos sobre a última década mostram transformações significativas no tecido empresarial português que se refletem, entre outros indicadores, num maior empreendedorismo, na dimensão das novas empresas e no seu perfil regional e setorial, com setores a ganhar dinamismo por troca com outros.”

Entre 2007 e 2016, de acordo com os dados agora divulgados, nasceram cerca de 347 mil empresas e outras organizações em Portugal. Destas, 64% mantêm-se ativas. Das restantes, 21% encerraram, 13% estão inativas, 1% estão insolventes e 0,2% foram adquiridas.

Sobre o setor do Retalho, o relatório indica que passou a liderar, no final de 2016, “os novos processos de insolvência, lugar que há vários anos era ocupado pelas Indústrias Transformadoras, que recuou 15 pp’s neste indicador desde 2007.

Para além desta dinâmica, a Informa D&B revela que os portugueses estão hoje mais empreendedores. “Os dois últimos anos (2015 e 2016) estão claramente acima da média anual de nascimentos de novas empresas na última década. O ano de 2016, com 37 034 novas empresas, e o de 2015, com 37 961, destacam-se nesta década onde a média anual de nascimentos de empresas é inferior às 35 mil.”

Por outro lado, existem hoje alterações a registar na estrutura setorial dos nascimentos no tecido empresarial. Serviços e Retalho mantêm-se como os setores onde se constituem mais empresas, mas o Alojamento e Restauração e as Atividades imobiliárias, setores ligados ao turismo, deram um salto e ocupam agora os terceiros e quartos lugares, respetivamente.

De referir também que Agricultura, Pecuária, Pesca e Caça, Telecomunicações e Alojamento e Restauração são os setores que mais cresceram em nascimentos de empresas, sobretudo porque, segundo o estudo, “os empresários adaptam-se ao contexto e às oportunidades”.

De resto, ficamos a saber que “a iniciativa individual deu um enorme salto na última década e ganhou terreno face às sociedades por quotas em número de nascimentos de empresas. Em 2016, as sociedades unipessoais representam 49% das novas empresas, valor que compara com 36% em 2007. As sociedades por quotas representavam em 2007 59% das empresas que nasciam, recuando em 2016 para os 48%. Em números absolutos, criaram-se 11 739 sociedades unipessoais em 2007 e 16 954 em 2016; 19 478 sociedades por quotas em 2007 e 16 839 em 2016.”

Por outro lado, os processos de insolvência têm vindo a cair desde 2013, uma queda que voltou a acentuar-se no ano passado, com menos 23% de novos processos iniciados.