Comércio cada vez mais competitivo

Para algumas marcas, 2017 foi ano de crescimento, para outras, de repensar estratégias. Mas há uma tendência comum: a crescente concorrência num setor cada vez mais agressivo.

O ranking das redes de comércio em franchising passou por uma mudança relevante: engloba agora as marcas do antigo ranking de comércio especializado. Apesar disso, à exceção de ligeiras subidas ou descidas e de uma nova entrada, a lista das dez redes de comércio com mais unidades em Portugal no primeiro semestre de 2017 manteve-se praticamente igual.

Para muitas das redes a operar no setor, 2017 foi um ano de reposicionamento no mercado, em que as marcas lançaram novas campanhas, repensaram estratégias e consolidaram a sua notoriedade. O ano passado foi também de grande concorrência neste segmento, algo apontado mesmo pelas redes em franca expansão.

Este é o caso do Minipreço, que, com um total de 625 unidades, 290 das quais franchisadas, continua a liderar o ranking. José Carlos Correia, diretor de terceiros do grupo Dia, detentor da marca, comenta que “é seguro afirmar que a franquia continua a ser um dos pilares fundamentais do modelo de negócio em Portugal do grupo Dia”.

Tal como apontado por outras marcas do ranking de comércio, tradicionalmente com grande número de unidades, a estabilização da marca e o seu crescimento sustentado foram algumas das grandes preocupações do Minipreço em 2017. “Os principais desafios continuam a ser os que se relacionam com a estabilidade do nosso parque atual de lojas, permitindo um crescimento sustentado de unidades em todo o país. Mantemos uma dispersão geográfica única no universo da distribuição alimentar em Portugal e estamos atentos a todas as oportunidades que surjam no sentido de o aperfeiçoarmos e aumentarmos a nossa capacidade de resposta nos perímetros urbanos, onde sentimos que há margem de crescimento.”

Assim, este ano, o objetivo do grupo é claro: “Aumentar o número de franquiados no nosso universo de lojas”, explica José Carlos Correia, acrescentando que “o facto de continuarmos a crescer demonstra um enorme esforço de equipa de prospeção e captação de novos empresários para o nosso modelo de negócio, algo que iremos prosseguir em 2018”.

Para muitas das redes a operar no setor, 2017 foi um ano de reposicionamento no mercado, em que as marcas lançaram novas campanhas, repensaram estratégias e consolidaram a sua notoriedade.”

Este ano, o grupo não tem zonas prioritárias de expansão, porque, como afirma o diretor de terceiros, “todas as zonas do país são relevantes e todas as oportunidades detetadas alvo de um intenso estudo e análise”. Além disso, a marca acompanha ainda as mudanças do seu setor, reformulando os seus conceitos de loja e procurando “responder às novas tendências e desafios que os consumidores nos colocam”.

Comércio de proximidade

Atento às mudanças num setor que diz ser cada vez mais competitivo, o diretor de terceiros do grupo diz que a meta não é estabelecer um perfil de cliente e conquistá-lo, mas sim criar “uma relação de proximidade e conveniência para o nosso universo de clientes, que abrange todo o tipo de famílias”.

A proximidade tem sido também a aposta da rede Meu Super, parte do grupo Sonae, que ocupa o segundo lugar no ranking de 2017, subindo uma posição em relação a 2016, com 266 unidades, todas franchisadas. “O grande fator de sucesso da marca Meu Super é o seu conceito de proximidade. É um formato para empresários e empreendedores, que encontram no Meu Super uma forma de entrar no mercado de retalho alimentar ou de modernizar um modelo de negócio tradicional”, afirma António Filipe, Diretor Geral do Meu Super.

Depois de terminar o ano com 300 unidades (os números do ranking referem-se apenas ao primeiro semestre de 2017), António Filipe salienta que o grande desafio atual da marca é chegar cada vez mais perto dos seus clientes: “Estamos convencidos de que há ainda muito espaço para estes formatos de proximidade crescerem, quer na criação de novas lojas quer na modernização de lojas existente, sobretudo porque os portugueses fazem cada vez mais compras de pequena dimensão e de forma mais frequente, o que favorece bastante as nossas lojas.”

Assim, o objetivo da marca para 2018 é continuar a reforçar a sua presença por todo o país, sendo que a seleção das zonas irá depender das “manifestações dos novos empresários que pretendem investir num espaço Meu Super”.

Notando que há uma “evidente evolução” no setor, António Filipe diz que o sucesso do negócio no segmento retalhista depende da capacidade de atualização e de resposta às exigências dos consumidores. “O formato de proximidade das lojas Meu Super favorece a revitalização do chamado comércio tradicional, através de um modelo mais profissional e ajustado às necessidades atuais dos consumidores. Por outro lado, as lojas Meu Super assumem atualmente um papel central dos bairros e de pequenas localidades, porque acabam por ser o local onde os vizinhos se encontram e interagem, o que acaba por favorecer também a vida da comunidade.”

No terceiro lugar – após uma descida de uma posição face ao ranking anterior -, encontra-se outra cadeia do setor da grande distribuição, o Intermarché, com 234 unidades franchisadas. Na quarta posição, está uma nova entrada, a Optivisão (228 unidades em franchising), seguindo-se a Multiópticas, que desceu um lugar face a 2016. A rede de acessórios de moda Parfois manteve-se na sexta posição, com 130 unidades, 38 das quais franchisadas.

Renovação de imagem

Com 121 unidades em franchising, a rede de perfumarias Equivalenza desceu duas posições face ao ranking de 2016, mas tem bons motivos para isso: “Em 2017, as nossas lojas começaram a ser renovadas, com uma imagem que melhora a experiência de compra. Um processo ao qual daremos seguimento em 2018 e que esperamos concluir em 2020. Estamos convencidos de que esta renovação irá melhorar a nossa posição no ranking”, garante Yérika Egusquiza, country manager da rede em Portugal e Espanha.

No ano passado, a Equivalenza esteve ocupada com o lançamento de uma nova imagem de loja e logótipo, bem como da campanha “A Perfume For Every You”, que foi apresentada nos mercados português, espanhol e italiano, o que contribuiu, nas palavras da country manager, “para potenciar o perfume como um acessório de moda”.

Líder no segmento da perfumaria monomarca, a Equivalenza exige atualmente um investimento inicial a partir dos 35 mil euros aos novos franchisados (o valor inicial começava nos 19 mil euros, o que reflete a procura), e prevê a abertura de novas lojas em 2018 em posições estratégicas. “Este ano, vamos reforçar a nossa posição como experts em perfumaria, através da formação dos nossos assessores em loja, o que nos permite prestar um serviço único aos nossos clientes”, explica.

Em nono lugar, imediatamente abaixo da cadeia de supermercados Spar (que se manteve na oitava posição), está outra empresa que se quer diferenciar pelo serviço – a especialista em telecomunicações Phone House. Tal como a Equivalenza, a rede sofreu um tombo de duas posições face ao ranking de 2016, mas Ventura Silva Jr., franchising sales manager da rede, diz que o balanço da operação de 2017 “foi francamente positivo”.

“Introduzimos uma série de alterações no nosso franchising, como a implementação do modelo de consignação de stocks, a simplificação de processos administrativos, novos formatos de loja com baixo custo e o projeto omnicanal. Estas alterações contribuíram para a melhoria da rentabilidade das unidades e satisfação dos atuais franquiados. Serão determinantes para os desafios futuros e para a captação e alargamento da nossa rede de franchising.”

Ao longo do ano, a rede inaugurou ainda dez novas unidades, seis das quais através de antigos franchisados. Presente em Portugal desde 1999 e adquirida em 2015 pela Digital Place, detida por dois acionistas portugueses, a Phone House requere um investimento inicial na ordem dos 30 mil euros para a abertura de uma nova unidade.

Em 2018, a marca quer continuar a reforçar a sua liderança no setor, com a abertura de 15 a 20 novas lojas de baixo custo integradas em galerias comerciais de hipermercados de proximidade ou em unidades de comércio local em cidades de norte a sul do país.

“O ano de 2018 continuará a ser um ano de desafios para a Phone House. Entre outras metas, destacamos o alargamento da rede de lojas, renovação da imagem e incremento da experimentação e estratégia de proximidade junto do cliente final”, avança Ventura Silva Jr.

Mais exigência

Avaliando o setor do comércio, o franchising sales manager da rede concorda com a opinião de outras marcas, afirmando que este é um segmento “cada vez mais concorrencial” e que o grau de exigência para operar na indústria das telecomunicações “aumentou significativamente”.

Da mesma opinião é Fernanda Fonseca, do departamento financeiro da Chip7, rede que encerra o ranking de comércio de 2017, com 57 unidades franchisadas. “A concorrência no nosso setor é muito feroz, é necessário estarmos sempre atentos a tudo; para podermos vingar as margens no setor informático são baixíssimas”, sublinha.

A responsável minimiza a descida de uma posição da Chip7 no ranking, explicando que a rede teve como principal objetivo em 2017 aumentar a confiança do consumidor, a quantidade de produtos oferecidos e a sua competitividade a nível de preço. “Não foi nosso objetivo principal angariação de novas unidades de negócio. Estivemos a trabalhar para uma melhoria nos nossos serviços e aumentar a credibilidade da nossa rede”, adianta.

O ano passado foi também de grande concorrência neste segmento, algo apontado mesmo pelas redes em franca expansão.”

A Chip7 esteve ainda ocupada com o lançamento de um novo site e com a criação de parcerias com os maiores fabricantes, objetivos que, segundo a responsável, “foram cumpridos”. “Não temos dados concretos de faturação das lojas, mas o feedback dos donos é que cresceram pelo menos 10% face ao ano anterior”, acrescenta.

A abertura de uma unidade da marca requer um investimento que ronda os dez mil euros e, embora a estratégia da marca para 2018 se concentre na competitividade e otimização de ferramentas internas de trabalho da rede, Fernanda Fonseca revela que há “vários investidores interessados numa possível abertura, nomeadamente nas zonas do Grande Porto e Grande Lisboa”.