Meu Super quer chegar às 300 lojas

Meu Super quer chegar às 300 lojas

A rede Meu Super aposta na proximidade e conveniência para lojas de retalho alimentar. A marca, da Sonae MC, nasceu em 2011 e “em dezembro de 2013 tínhamos 70 lojas abertas, agora no final de outubro, temos 118, e pensamos terminar o ano com cerca de 130 unidades e vamos com certeza conseguir esse número. As coisas têm corrido muito bem”, assegura Fernando Silva, head of wholesale franchise da Sonae MC.

O responsável defende que “o Meu Super tem três ou quatro pontos relevantes que consideramos vantajosos para o franquiado: a venda de produtos marca própria Continente; a capacidade logística (fazer chegar os produtos às lojas duas, três, quatro vezes por semana) e o know how do maior operador em Portugal, das suas equipas”.
Fernando Silva adianta ainda que “deveremos ter uma quarta vantagem, que esperamos, possa estar brevemente à disposição dos franquiados e dos clientes, ter o cartão Continente. Estamos a fazer um estudo piloto em 11 lojas, de viabilidade económica e depois disso será decidido, mas acreditamos que sim”.
O head of wholesale franchise da Sonae MC diz que “é uma possibilidade” a existência de sinergias entre as marcas de franchising do grupo Sonae – Meu Super, Well’s e Note. “É algo que a nós faz sentido. Poderá haver uma loja Meu Super com uma Well’s dentro ou uma Note. É uma possibilidade.”

Fernando Silva salienta que “queremos ser uma grande rede de franquias em Portugal, dentro de dois anos, dois anos e meio queremos mais do que duplicar as 130 lojas com que esperamos terminar este ano, ou seja, no final de 2016, início de 2017 queremos ter 300 lojas e estamos a trabalhar para isso, em conjunto com os nossos franquiados, os atuais e os futuros. Mas isso implica que sejamos capazes de ouvir os nossos franchisados, percebermos as suas expetativas de necessidades e de lhes dar resposta”.

Para o responsável da rede de retalho alimentar, “o fundamental neste negócio, nas lojas abertas, para quem já tem loja, é que tenhamos, de forma evidente, a capacidade de melhorar a nossa proposta de valor – seja a logística, o cardex, a qualidade nos folhetos, a agressividade promocional, os preços de venda, o serviço que as lojas prestam, a qualidade operacional no dia-a-dia das lojas, etc. –, e quanto mais capazes formos de robustecer essa nossa proposta, mais capacidade de atração teremos para novos franquiados e de manter os atuais satisfeitos”. E adianta: “defendemos, de forma muito objetiva, que não há rede de franchising nenhuma no mundo sem satisfação dos franquiados e é para isso que temos de trabalhar. É para as lojas, que são clientes e franquiados, que trabalhamos arduamente todos os dias”.

Hoje, na rede Meu Super, 60% das lojas foram feitas de raiz e as restantes são lojas que aderiram à rede, foram reconvertidas.

 

Serviço e conveniência
As lojas da cadeia têm um horário mais alargado que o habitual, abrindo entre as 8h/8h30/9h e fechando entre as 20h30/21h, com muito poucas a fecharem à hora de almoço (depende da região).

Hoje estamos muito na grande Lisboa, e também na zona Centro – Coimbra e Leiria, queremos entrar com mais força no Algarve e isso vai acontecer já este ano, como também na Madeira”, refere Fernando Silva. O objetivo é ter uma cobertura nacional, “estar no País de uma forma muito evidente, em zonas urbanas mas também no interior.

Para isso, “estamos a trabalhar para que possamos ter quatro ou cinco clusters de gamas e sermos capazes de construir soluções para as grandes cidades – Porto, Lisboa, Braga, Leiria… – e atender às questões marcadamente regionais, como no Alentejo ou no Algarve, aqui também atendendo ao mercado dos turistas”, diz, garantindo: “entendemos sempre tudo numa lógica de parceria, numa lógica de dois e não de um”.

 

Modelo de parceria
Para Fernando Silva, “o nosso modelo de negócio de franchising é uma parceria onde franqueador, que somos nós, tem de ter a capacidade de ajudar a construir a gestão operacional e financeira, assessorar o franquiado nessas áreas, nós temos essa capacidade e fazemo-lo. Mas é evidente que a loja é do franquiado e é ele que tem de ter presença na loja. No nosso modelo defendemos que, preferencialmente o franquiado deve ter um máximo de duas lojas para ele e/ou a esposa poder estar à frente da loja, dar a cara”. E explica porquê: “porque, desde logo, nota-se no serviço que se presta, na qualidade operacional da loja e na experiência de compra que o cliente tem quando entra na loja. Mas também, porque estas lojas têm uma gestão de encargos com pessoal complexa que tem de ser muito bem equilibrada face à faturação”.

O modelo de negócio Meu Super implica a assinatura de um contrato de franchising de cinco anos. Não há direitos de entrada nem royalties e a imagem interior e exterior é o Meu Super que suporta. “Ao franchisado cabe o stock de enchimento (inicial) e tudo o que é obra de construção civil, equipamentos, renda, etc. Do lado do franqueador fica toda a logística – handling e transporte das mercadorias, nos dias e horas que previamente são cordados com o franchisado, e tem também a responsabilidade de tudo o que é imagem e promoção (campanha de abertura, folhetos quinzenais – produção e distribuição)”, informa o responsável.

Quanto às compras diárias da loja, “o que defendemos é que as compras sejam feitas na rede, mas existe um espaço de autonomia do franquiado para que ele possa comprar produtos marcadamente regionais”, afirma.

O investimento inicial ronda os cinco a seis mil euros para a reconversão de uma unidade e os 100 a 120 mil euros para uma loja nova, com o break even a conseguir-se entre o segundo e o terceiro ano.

A marca tem acordo com banca e outras parcerias mas os franchisados têm total liberdade.

 

A marca própria Continente
No Meu Super um dos aspetos “que achamos, nós e os franquiados, mais distintivo é a marca própria Continente, a possibilidade de poderem ter nas lojas um cardex alargado de produtos Continente, uma marca reconhecida durante 12 anos consecutivos. O potencial franchisado pergunta logo isso”, adianta Fernando Silva.

Os players de uma forma geral têm investido muito nas marcas próprias, ao nível da relação preço-qualidade e também do packaging, com grandes exigências e o consumidor reconhece isso cada vez mais, considera o responsável.

Assim, “o peso dos produtos de marca própria na rede Meu Super já ronda, em média, os 30% a 40%, igualando assim os valores do próprio Continente”.

O head of wholesale franchise da Sonae MC garante que “não temos muitos exemplos de lojas que tenham saído da rede, três ou quatro exemplos, mais no início” e diz ainda que “quando as coisas não correm bem, tem normalmente a ver com a localização da loja (fortemente habitados) ou de o franquiado não estar à frente no negócio”.

O Meu Super tem uma equipa de angariadores, que anda na rua, mas também há donos de supermercados e empreendedores que contactam a rede, alguns depois de irem falar com pessoas que já têm lojas da rede. “E há ainda um terceiro fenómeno que está a acontecer que é quem já tem loja Meu Super e quer abrir mais, o que é uma prova enorme de confiança, porque só se abre uma segunda ou terceira loja se acreditar no conceito e no modelo de negócio”, conta Fernando Silva.

 

Renascer da loja de bairro
O responsável do Meu Super lembra que “durante muitos anos a distribuição moderna, hipers e não hipers, proliferaram e têm hoje uma quota enorme, mas o que se assiste agora é que o retalho alimentar de proximidade e conveniência está a readquirir novo folego e isso é bom. É bom porque é uma boa oportunidade para que nós possamos investir também nesse formato de loja”.

E, no seu entender, este renascimento acontece porque “nas grandes cidades, as pessoas têm cada vez menos tempo, vão trabalhar cedo e voltam tarde, pelo que o tempo que as pessoas tinham no passado para ir às compras hoje é menor. Portanto, preferem ir às lojas de proximidade e conveniência, perto de casa e, por vezes, até a pé, sem terem de tirar o carro da garagem e ter de ir para o hiper, estar em filas”.

Fernando Silva diz ainda que “constatamos os supermercados, como são normalmente conhecidos, têm esta possibilidade de terem uma diferenciação: o contacto direto com os clientes, tratá-los pelo nome, e sentimos que os clientes valorizam isso e terem um serviço de qualidade”. Aliás, frisa o responsável, “e o supermercado tem mesmo de fazer isso, porque o hiper hoje também já não é o mesmo de há 20 anos atrás, investe muito na formação das equipas para apostar mais precisamente na relação com o consumidor”.

Fernando Silva defende que “o supermercado tem de ter duas coisas distintivas: a localização (tem de estar muito bem localizado, nas zonas onde as pessoas moram) e tem de primar pelo serviço que presta (pela qualidade do atendimento e em atender aos desejos dos seus clientes), porque se formos comparar a variável promoção e preço os supers não têm as mesmas armas dos hipers”.

O responsável acredita ainda que redes como o Meu Super e a Amanhecer, entre outras, ajudaram a dinamizar o setor “mas, em boa verdade as lojas de proximidade, de bairro, em Portugal nunca desapareceram, tiveram sempre a sua expressão. Hoje, das cerca de 3.400 lojas que existem entre os 100 e os 400m2, que é onde o Meu Super está, cerca de 80% são lojas independentes. O que nos parece ser uma boa oportunidade”.