Quais as marcas que mais internacionalizam?

Quais as marcas que mais internacionalizam?

À semelhança do ranking de serviços para empresas, o ranking de internacionalização em franchising regista algumas novas entradas: são quatro no total, com muitas descidas e subidas da parte das marcas que já faziam parte da listagem.

O lugar cimeiro, no entanto, manteve-se inalterado: a Parfois, com 683 unidades no estrangeiro, continua a ser a marca portuguesa em franchising que mais representa o país além-fronteiras. Logo abaixo, no segundo posto, está a Vivafit, que ocupava o terceiro lugar no ranking de 2016, mas que subiu um posto em 2017, com 51 unidades no estrangeiro. Infelizmente, nenhuma das marcas se mostrou disponível para comentar o seu desempenho.

Em terceiro lugar, com 42 unidades além-fronteiras e um posto acima face à lista de 2016, está a DepilConcept, que se encontra empatada com a House Shine, que desceu uma posição face ao ranking anterior.

Parte do mesmo grupo que a BodyConcept – que também figura na listagem enquanto nova entrada, em décimo lugar, com cinco unidades no estrangeiro -, a DepilConcept tem por objetivo atingir as 60 unidades na Polónia ainda este ano, revela Carla Nunes, diretora de expansão das duas marcas em Portugal e diretora operacional no Brasil. É, aliás, neste país da América do Sul que a BodyConcept, por seu lado, pretende chegar às 20 unidades durante o ano de 2018.

Em solo nacional, cada uma das marcas assinou seis novos contratos para a abertura de lojas no ano passado, em localidades como Famalicão, Maia, Aveiro, Matosinhos, Castelo Branco, e em bairros como Alvalade, Campo de Ourique e Lumiar, em Lisboa. “As redes, mais uma vez, voltaram a apresentar um crescimento em volume médio de faturação na ordem dos 10%”, diz a diretora de expansão.

O bom desempenho de ambas as insígnias está, segundo Carla Nunes, “claramente relacionado com o sucesso de ambos os conceitos, que assim demonstram funcionar em três continentes: América do Sul, África e Portugal [Europa]”. Contudo, aponta, existem outros fatores responsáveis pelo sucesso, nomeadamente a escolha adequada de parceiros locais, feita de acordo com critérios mais conservadores, e o grande apoio concedido às unidades no exterior.

Para Carla Nunes, “em equipa que ganha não se mexe”, por isso, a meta de 2018 para ambas as redes é consolidar e crescer, “sem nunca deixar de analisar outros mercados em que possamos ter condições de também sermos líderes de mercado”.

Assim, a DepilConcept e a BodyConcept querem chegar a todas as capitais de distrito do país, com especial foco para o norte e interior de Portugal. “Depois, existem as ilhas da Madeira e Açores, às quais pretendemos chegar também já em 2018”, sublinha a diretora de expansão.

Bons resultados em casa

Já a descida de uma posição no ranking por parte da House Shine, a rede da NBrand especialista em limpezas domésticas, justifica-se pelo abrandamento da expansão da marca no Brasil, país que está a atravessar uma crise económica, como explicou Cândido Mesquita, CEO do grupo.

Ainda assim, os bons resultados da marca, presente no top três, devem-se ao grande trabalho de equipa feito pela House Shine, que conseguiu um crescimento da faturação na ordem dos 16,5% e uma média líquida de crescimento das unidades de 8%.

“Em 2018, no que diz respeito à internacionalização, estamos a negociar a autonomização da operação do Brasil, com a entrada de novos sócios, e passar a uma situação de master puro. Até ao momento, o master do Brasil era detido a 90% por Portugal e passará a ser detido por uma nova sociedade”, avança Cândido Mesquita.

Quais as marcas que mais internacionalizam?Para futuro, e apesar de a marca ser líder em Portugal, é em solo nacional que vai apostar, com um plano ambicioso para crescer a sua quota de mercado em 500%, aumentando o número de franchisados em cidades como Lisboa e Porto. “Portugal está com um cenário económico extremamente favorável e, por isso, é nossa intenção aproveitá-lo ao máximo”, garante o CEO.

No entanto, a boa situação económica em Portugal não é garantia de ajuda na internacionalização, pelo menos segundo a responsável da DepilConcept e BodyConcept: “Ainda não tínhamos terminado o ano de 2017 e já estávamos a ser bombardeados com notícias sobre a boa performance do país. Se, internamente, essa notícia pode ser interessante pela questão da confiança dos operadores, externamente não tem impacto”, opina Carla Nunes.

Em quarto e quinto lugar, com 29 e 16 unidades no estrangeiro, respetivamente, estão a NBB M&A Advisors e a EZ Trade Center, duas marcas do universo Onebiz. Ambas subiram no ranking de internacionalização – a NBB registou uma subida de apenas um lugar, enquanto a EZ Trade Center, rede de especialistas em redução de custos, trepou quatro posições.

Cátia Barros, brand manager de ambas as marcas, diz que a internacionalização é crucial para as duas redes e confirmou a aposta de ambas no marketing, que contribuiu para um aumento de notoriedade e da carteira de clientes.

No caso da NBB, a marca especialista em aquisições e fusões conseguiu entrar em novos mercados, como Espanha e África do Sul, para além de conseguir um novo master franchisado para a Alemanha. “Durante o próximo ano, gostávamos de contar com mais uma unidade em Portugal (neste momento temos uma franchisada no Porto e a nossa unidade própria em Matosinhos) e de continuar a nossa expansão internacional, em especial nos mercados europeus onde ainda não estamos presentes, como a França ou o Reino Unido.”

Quanto à EZ Trade Center, os objetivos são também de crescimento, tanto no mercado nacional como internacional. “Para isso, vamos continuar a investir em campanhas de marketing, em especial de marketing digital, mas vamos dar prioridade ao serviço ao cliente. Temos plena consciência que o nosso serviço nem sempre é simples de materializar e, como o nosso target são as empresas, consideramos que a melhor forma de crescermos é através do testemunho de empresas que façam parte da nossa carteira de clientes”, explica a brand manager.

Na sexta posição, o que representa uma subida de quatro lugares, está a Nata Lisboa, com 12 unidades internacionais. A marca, presente em 11 países, “tem efetuado um grande investimento na criação de coffee shops com uma elevada atratividade, quer ao nível do conforto e da experiência de consumo para o cliente, quer em termos de performance na operação”, explica João Cunha, responsável da rede. “Esta nova geração de lojas, iniciada em 2017 em Amesterdão e Berlim, está já neste momento em implementação noutros países, incluindo Portugal.”

No ano passado, a Nata Lisboa entrou em novos mercados – Alemanha, Holanda, Angola e Eslováquia – e reforçou a rede portuguesa, encerrando o ano com um volume de negócios na ordem dos seis milhões de euros. Este ano, para além de novas aberturas em Portugal, a marca vai dar continuação ao processo de internacionalização, estando já prevista uma nova abertura na Alemanha, em Esslingen.

Beleza em alta

Tal como o terceiro lugar, o sétimo posto do ranking é também partilhado por duas marcas, desta vez do mundo da beleza: a rede de perfumarias Ydentik e a rede de maquilhagem Kioma, ambas novas entradas, com 11 unidades no estrangeiro.

“À semelhança do que vem acontecendo nos anos anteriores, 2017 foi mais um ano de crescimento. O número de solicitações para a abertura de novas lojas aumentou em 30% face a 2016, o que não se traduziu em igual medida em abertura de lojas por considerarmos que era necessário estudar exaustivamente o mercado”, conta Luís Machado, sales and business development manager da Ydentik.

A rede, que faturou mais de quatro milhões de euros no ano passado, vai ter grandes novidades em 2018, depois da abertura da sua primeira fábrica de perfumes em Portugal, que trouxe “autonomia, eficiência e controlo de qualidade tremendo” à Ydentik. Uma dessas mudanças vai ser a reformulação do conceito da marca, que os próprios responsáveis da rede já sentem necessidade de alterar. “Estamos mais exigentes e queremos proporcionar experiências aos nossos clientes. Vamos apostar fortemente na formação dos nossos franchisados e seremos rigorosos na seleção dos interessados em investir na nossa marca.”

Descrevendo 2018 como um ano de grande crescimento a nível de lojas, Luís Machado revela que a marca espera crescer 50% no mercado externo. “No mercado interno também será uma aposta em localizações de primeira linha, com elevada densidade populacional, com especial atenção para Porto e Lisboa e centros comerciais de referência. Externamente, temos já previstas aberturas no Luxemburgo, Suíça e principalmente em França, onde estamos com um volume de solicitações anormal, muito fruto dos excelentes resultados que estamos a obter com as três lojas já existentes no mercado e pelo forte destaque que a comunicação social francesa nos está a dar. Só em França, a previsão de aberturas em 2018 ultrapassa já as dez lojas”, sublinha.

No caso da Kioma, a expansão internacional tem sido feita principalmente em Espanha, mas, no ano passado, para além de novas aberturas em Portugal, a marca iniciou contactos com outros países. “A estratégia para o novo ano passa pela continuidade no desenvolvimento de novos produtos, vamos alargar ainda mais a oferta de produtos nas nossas lojas, continuaremos a trabalhar na expansão da Kioma dentro e fora de Portugal, chegando cada vez a mais clientes”, diz Marco Durães, diretor geral da marca, acrescentando que a rede tem já previstas mais duas aberturas no estrangeiro.

Outra nova entrada no ranking é a Acountia (ex Fiducial), em oitavo lugar, com oito unidades internacionais. A rede de contabilidade, consultoria e apoio à gestão, que também faz parte do grupo Onebiz, está presente no mercado africano: “Devido ao conhecimento que fomos adquirindo do mercado, à nossa experiência enquanto consultores e à forma como nos fomos posicionando, o mercado nacional deixou de ser suficiente. A internacionalização tornou-se assim num caminho natural que nos permitiu entrar nos mercados africanos enquanto crescíamos a nível nacional”, explica Joana Carvalho, diretora de marketing da Acountia.

Sem especificar valores, a diretora de marketing da rede afirma que 2017 foi um ano muito positivo para a marca, que cresceu em termos de unidades, faturação e carteira de clientes. Este ano, o objetivo da Acountia é consolidar a sua marca e expandir-se em território nacional, “onde atualmente temos uma presença menos acentuada”, nota Joana Carvalho.

Com sete unidades no estrangeiro e um tombo de três posições no ranking de 2017 face a 2016, a Nails4Us encontra-se no nono lugar. “Consideramos que esta descida é resultante dos efeitos do encerramento de unidades em Espanha nos anos 2014 e 2015 e consequente reorganização da rede”, comenta a responsável da Nails4Us, Elisabete Castanheira. “A assinatura de um contrato de franchising com exclusividade para Moçambique ainda não resultou em aberturas, enquanto a previsão de mais duas unidades em Angola ainda não se concretizou, estando as mesmas previstas para o primeiro trimestre de 2018”, acrescenta.

Salientando que 2017 foi “um ano estável e de investimentos em renovação”, Elisabete Castanheira diz que a marca manteve o seu volume de faturação e abriu uma nova unidade em território nacional, em Telheiras, Lisboa. “Várias lojas foram renovadas e adaptadas à renovada imagem corporativa e continuámos com a substituição dos quiosques pelo modelo atual.”

Para além de Angola, a marca pretende inaugurar novas unidades em Portugal este ano, bem como em Espanha e no Brasil, onde se encontra atualmente em negociações. Mas, primeiro, a Nails4Us vai concluir o seu processo de renovação de imagem.

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