Redes low cost crescem sustentadamente

Redes low cost crescem sustentadamente

As redes de baixo investimento continuam a crescer de forma lenta mas sustentada. O inalterado top três do ranking de baixo investimento em franchising 2017 reflete a estabilidade de um setor sem grandes mudanças, mas que se assume cada vez mais como alternativa para quem quer criar o seu próprio emprego.

Na lista das dez maiores marcas deste segmento, a MaxFinance, a Equivalenza e a Phone House continuam a ocupar as posições cimeiras, com um total de 178, 121 e 96 unidades no primeiro semestre do ano passado, respetivamente.

Gustavo Jorge, responsável de expansão da MaxFinance Portugal, confirma que 2017 foi um ano de crescimento para a rede de consultoria financeira, que consolidou o seu modelo de negócio. Contudo, segundo o responsável, este crescimento foi também o maior desafio da empresa no ano passado, que viu testada a sua capacidade de resposta enquanto, simultaneamente, aumentava a sua competitividade.

Parte do sucesso da rede deve-se à sua aposta em formação para os franchisados da rede. Segundo Gustavo Jorge, por exemplo, foram lecionadas no ano passado “250 horas de formação de ferramentas informáticas de valor acrescentado” às equipas MaxFinance.

O responsável de expansão afirma que a MaxFinance vai continuar focada “nos três eixos principais do seu negócio” – os serviços de consultoria financeira para as famílias e empresas nacionais, o desenvolvimento de bons canais de distribuição para os produtos bancários e seguros vendidos pelos parceiros da rede, e por fim, os franchisados e potenciais investidores na marca.

Se há dúvidas sobre a procura que a rede de perfumarias monomarca Equivalenza tem tido em Portugal, os números falam por si: a marca iniciou a sua implantação no país com uma proposta de abertura de lojas, em regime de licença, com um investimento inicial a partir dos 19 mil euros. “O custo inicial para abrir uma loja Equivalenza neste momento é a partir de 35 mil euros. Um incremento notável, que reflete a evolução e o reconhecimento da marca pelos consumidores portugueses”, sintetiza Yérika Egusquiza, a country manager da rede para Espanha e Portugal.

Mais do que de crescimento, o ano passado foi de grande consolidação para a Equivalenza. Depois de ter iniciado uma enorme campanha de renovação da imagem das suas lojas (processo que deverá concluir em 2020) e de ter lançado novas gamas de fragrâncias exclusivas, a rede tem como objetivo inaugurar novas lojas em 2018. “O nosso objetivo primordial é consolidar a nossa rede de lojas e melhorar a sua performance, e realizar aberturas em pontos estratégicos”, revela a country manager da rede. “Daremos seguimento ao processo de renovação de imagem das lojas, colocando todo o nosso empenho e foco no consumidor, e mantendo a nossa proposta de produtos de alta qualidade, inovadores, a preço acessível”, acrescenta.

Tal como a Equivalenza, a Phone House, no terceiro lugar, também passou por várias alterações em 2017, destinadas a melhorar a rentabilidade das suas lojas e, por conseguinte, aumentar a satisfação dos seus franchisados. Além disso, a especialista em telecomunicações registou ainda a abertura de dez novas unidades, seis das quais através de antigos franchisados, o que, para Ventura Silva Jr., franchise sales manager da rede, é um “sinal de confiança mútua na parceria”.

Segundo o responsável, “a atratividade do sector em que operamos, o reduzido nível de investimento inicial necessário para entrar na rede, a aposta em parceiros locais com maior conhecimento das regiões onde estão inseridos e as alterações efetuadas no nosso modelo de negócio justificam o posicionamento atual. O nível de interessados no nosso franchising aumentou significativamente”.

É por este motivo que a Phone House tem como meta a abertura de 15 a 20 unidades este ano, em localidades como Ponte de Lima, Paços de Ferreira, Amarante, Valongo, Vila do Conde, Mafra, Setúbal, Portalegre, Beja, Tavira e Silves.

Falta de profissionais

 Em quinto lugar, uma descida de uma posição face ao ranking anterior, encontra-se a Atlas Seguros, que ficou entre duas redes do mesmo grupo – a Querido Mudei a Casa – Obras, agora em quarto lugar, uma subida de duas posições; e a Melom Obras, em sexto, que desceu uma posição face a 2016.

“A marca Querido Mudei a Casa tem crescido de uma forma muito consistente porque apresenta duas grandes vantagens face ao atual mercado de franquias: o valor do direito de entrada, fixado em cinco mil euros, é muito baixo face ao potencial do negócio de obras, e a duração do contrato de franquia também é menor que a do mercado – dois anos apenas, quando na maior parte dos franchisings em Portugal é de cinco anos”, explica João Carvalho, responsável da Querido e da Melom. “Estes dois fatores, aliados à inquestionável notoriedade da marca, fazem com que o risco do empreendedor seja muito reduzido e, por isso, crescemos em vendas de franquias.”

A Querido Mudei a Casa chegou ao mercado português depois da Melom e, por isso, encontra-se agora em fase de maior expansão. A rede registou a abertura de 36 novas unidades em 2017, enquanto a Melom fechou o ano com 15 novas lojas. “Encerrámos ou não renovámos com 29 unidades, pelo que o saldo é positivo e revela que a rede está em crescimento”, comenta João Carvalho.

“O nosso setor enfrenta um enorme desafio de falta de mão-de-obra especializada. Infelizmente, os anos de crise contribuíram muito para a emigração de profissionais do setor de construção civil e, hoje, quando registamos um forte aumento da procura de obras, não temos profissionais suficientes para satisfazer os pedidos que registamos”, refere.

Para João Carvalho, é um “paradoxo interessante”, porque o número de empreendedores interessados neste segmento continua a crescer, apesar da falta de profissionais. “Em relação à faturação, este ano prevemos realizar 27,5 milhões de euros, que representa um crescimento de 64% face ao ano anterior, em que registámos uma faturação de 17,7 milhões de euros.”

Para além do aumento da faturação, o responsável diz que as duas redes devem continuar a crescer em número de unidades, com 38 novas lojas da Querido e 12 da Melom, maioritariamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, onde se registam mais pedidos. Este crescimento vai sustentar-se em três eixos de desenvolvimento: apoio na captação de profissionais especializados, acompanhamento próximo das unidades no terreno e, por fim, captação de pedidos online.

Olhando para o setor do baixo investimento, João Carvalho considera “que face à velocidade com que os mercados mudam, é a forma mais certa e menos arriscada de permitir a um empreendedor lançar-se num negócio. As franquias de baixo custo reduzem substancialmente o risco de perdas e potenciam (no nosso caso) a entrada para um mercado gigantesco com maior taxa de sucesso”, sublinha.

Imediatamente abaixo da Melom, com 57 unidades, está a rede de serviços informáticos Chip7. De acordo com a responsável do departamento financeiro da rede, Fernanda Fonseca, a prioridade em 2017 não foi a abertura de novas lojas, mas sim a melhoria dos serviços e credibilidade da Chip7. “O nosso objetivo principal é que as lojas que estão abertas prestem um serviço de excelência e vejam a marca Chip7 como uma mais valia. Este ano tínhamos como grande objetivo dar melhores ferramentas de trabalho às lojas, nomeadamente o novo site. Neste momento, as lojas estão todas muito satisfeitas com o nosso trabalho”, garante.

Em 2017, a rede realizou duas novas aberturas e dois encerramentos, o que originou um saldo neutro, mas, a nível de faturação das lojas, a rede cresceu 10% face ao ano anterior, segundo o feedback dos franchisados.

“Os nossos desafios foram: colocar online o novo site Chip7, alargar a gama dos nossos produtos, ter preços mais competitivos no mercado e parcerias com os maiores fabricantes. Todos estes objetivos foram cumpridos”, diz Fernanda Fonseca, acrescendo que a marca quer continuar a trabalhar alguns destes pontos em 2018.

Crescimento em vez de maturidade

No oitavo posto, na mesma posição que no ranking de 2016, encontra-se a rede de arranjos de costura Cort&Cose. “Basicamente, a Cort&Cose apresenta-se como uma marca com domínio no mercado nos serviços de distribuição da costura há já bastantes anos, sendo que, no momento atual, em que a economia cresce mas a um ritmo lento, o nosso desempenho permanece o mesmo, ou seja, temos conseguido manter o núcleo duro dos últimos anos, abrindo aqui e ali uma nova unidade”, explica Marco Cândido, representante comercial e de apoio ao cliente da BizMaster, que detém a rede.

“Tudo isto faz parte de uma estratégia assumida, na qual a costura deverá estar presente em locais de elevado tráfego, como centros comerciais ou supermercados. A nível nacional, existem ainda oportunidades de crescimento, sendo que não consideramos no momento que a marca Cort&Cose esteja maturada, mas sim ainda em crescimento.”

Com cinco novas unidades em 2017 – a rede esforçou-se por entrar nos centros comerciais onde ainda não marcava presença -, a Cort&Cose quer manter a mesma estratégia este ano, “aproveitando as poucas oportunidades de bons espaços que vão surgindo”, como salienta Marco Cândido.

“Estamos também a apostar no norte do país, onde, nos últimos tempos, abrimos duas unidades e iremos abrir mais uma em breve, no Continente do Norte Shopping. Consideramos esta abertura fulcral para a nossa expansão no norte do país, extraindo daí crescimento nessa zona”, revela o representante comercial.

A Chaviarte Express é uma nova entrada no décimo lugar, ocupando o posto que antes pertencia à NewCar, agora em nono. Com 49 unidades, 39 das quais franchisadas, a marca atribui a sua entrada no top dez do baixo investimento ao “aperfeiçoamento dos métodos de trabalho, aposta na formação, permanente estudo da evolução do nosso mercado e correspondente ajuste do mix de produtos e serviços”, enumera o responsável da Chaviarte, António Correia.

Afirmando que 2017 foi um ano “extremamente positivo”, o responsável revela que a marca terminou o ano com um crescimento de faturação na ordem dos 5%, que se deve, em parte, ao facto dos produtos e serviços da Chaviarte serem de consumo “não opcional” e terem “como público-alvo toda a população, não se destinando a nichos de mercado”.

Além disso, no ano passado, a rede reabriu ainda uma das suas unidades, em Loulé, e inaugurou outras três, remodelando ainda mais três lojas. “O maior desafio do ano foram as obras de ampliação em cerca de 50% da área de armazenamento, o aumento da área administrativa em 35% e a construção de uma sala de formação para 30 formandos com todos os meios técnicos e audiovisuais para aulas ministradas com qualidade”, acrescenta António Correia.

“O segundo maior desafio foi a conclusão da nossa loja online, dado que temos cerca de seis mil referências em stock habitual e a maioria estará disponível nesta loja, tornando a tarefa gigantesca e o investimento em meios e tempo bastante elevado.”

Mas, se 2017 foi um ano agitado para a marca, 2018 não deverá ser diferente. Para além da abertura de quatro novas unidades (Grande Porto, Grande Lisboa e na zona de Leiria / Fátima) e da dinamização da recém-lançada loja online, a Chaviarte vai lançar um novo conceito no setor automóvel (Chaviarte Auto Solutions) e abrir duas unidades do mesmo, no Grande Porto e na Grande Lisboa. “Também levaremos a cabo um esforço de remodelação de 31 das unidades mais antigas em consequência do rebranding iniciado em 2017. Será, pois, um ano muito trabalhoso”, admite António Correia.

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