Um optometrista com sangue na guelra

Um optometrista com sangue na guelra

É o mais jovem franqueado da marca MultiOpticas. Aos 24 anos abriu a sua primeira unidade, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Três anos depois, Francisco Pamplona acaba de inaugurar uma segunda loja e já faz planos para expandir para o continente a breve prazo. A história de um franqueado que respira ambição e se assume como um verdadeiro embaixador da marca que representa.

Tem apenas 27 anos e acaba de inaugurar a sua segunda loja. Mas Francisco Pamplona, franqueado MultiOpticas, não tem dúvidas que não vai ficar por aqui e já faz planos para mais uma abertura a curto prazo.

A chegada ao mundo do franchising é assumida com naturalidade por este jovem empresário. Aliás, o espírito empreendedor e desapegado faz parte da sua história de vida. Filho de pai oficial da Marinha e de mãe professora, a infância foi passada a saltitar de cidade em cidade. “De três em três anos mudávamos de casa e de localidade devido às comissões de serviço do meu pai”, explica. Nasceu em Lisboa, viveu no Algarve, e em mais duas ilhas açorianas. Na faculdade, aterra em Braga para estudar optometria: “Sempre tive facilidade de adaptação a novos ambientes e nunca fui muito de criar grandes rotinas”, refere.

A chegada à optometria

Mas o que fez este jovem apostar na optometria? Sem familiares nesta área, e com um irmão que acabou por seguir medicina, acabou influenciado por um amigo que lhe disse que seria um bom curso, com emprego garantido e possibilidade de empreender com loja própria: “Era uma área aliciante, que me permitia o relacionamento com pessoas, algo que gosto muito, e na área da saúde. Ajudar as pessoas a ver melhor é bom!”, aponta.

Acabado curso, chegou a hora de fazer opções. As interrogações eram várias: trabalhar para outros ou por conta própria? Trabalhar em Portugal ou fora? A resposta não tardou: “Nessa altura pensava em trabalhar fora de Portugal, seguir o meu próprio caminho e escolher as empresas onde queria trabalhar. Sair de Portugal ou ter o meu negócio, era as opções mais fortes. Mas depois de acabar o curso e começar a trabalhar é que percebi que podia ter o meu próprio negócio. E no espaço de dois meses após começar a trabalhar fiz uma proposta à MultiOpticas, isto com 22 anos. Estive dois anos à experiência para perceberem se tinha capacidades para isso, trabalhei em cerca de oito lojas, de Trás os Montes a Leiria. E com 24 anos abri a loja, depois de dois anos de planeamento”, conta.

Açores, what else?

Os Açores foram a escolha natural para a localização da loja. Abriu na ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, há cerca de três anos, local de origem dos avôs, onde viveu em jovem e onde os pais atualmente vivem. As razões sentimentais eram fortes mas o potencial de mercado também. “Era uma localização com muito potencial e que me podia dar a qualidade de vida que queria. Na altura não havia nenhuma multinacional de ótica na ilha da Terceira. Eu já trabalhava na MultiOpticas, identificava-me com os princípios e com a visão da empresa e decidi continuar a trabalhar com a marca, mas desta vez como parceiro e não como colaborador”, revela.

Mas será que as regras apertadas de um contrato de franchising encaixam no espírito de um jovem empreendedor nato? Francisco Pamplona só vê vantagens nesta modalidade, uma vez que lhe permite estar complemente focado no trabalho: “Está tudo está criado pela marca, desde as campanhas à parte logística. Acabei por entrar num negócio que já conhecia bem, identificava-me com as regras e era só seguir em meu benefício próprio”, aponta.

Os desafios

Sem conhecimentos de gestão ou de economia, mas com objetivos bem traçados e com um back-office que lhe dá segurança, Francisco confessa que o maior desafio foi ter tempo para fazer tudo: “Trabalhávamos 12 a 13 horas por dia! E essa realidade, saber lidar com a pressão, fazer as coisas calmamente, foi difícil. Encontrar um equilíbrio e fazer tudo de forma rotineira foi o maior desafio. Depois havia a parte de gestão, eu não tinha conhecimentos, fui à procura de ajuda nessa área. O meu pai sempre me ajudou e logo na abertura percebemos que íamos ter um volume de negócios muito grande para ser só eu a fazer tudo, por isso neste momento é o meu pai que faz a parte administrativa e de contabilidade. Atualmente sou mais gestor de pessoas…”.

Ser líder aos 23 anos podia ter sido outra das dificuldades mas, neste caso, tudo aconteceu naturalmente. Francisco recorda que o processo de recrutamento não foi fácil, e todos os colaboradores vieram de fora da ilha e sem formação na ótica. “Fui durante muito tempo o único optometrista, os meus colegas não tinham formação, começámos tudo do zero. Mas a marca deu apoio nesta área e hoje em dia, se for necessário, já somos já somos nós que fazemos a formação. Atualmente somos um grupo pequeno de nove pessoas. Tive a sorte de encontrar pessoas que sabem distinguir bem o que é trabalho do que é lazer e há respeito e sabem o que são hierarquias. Mas considero-me uma pessoa flexível e arranjamos sempre uma forma de contornar os problemas, falamos muito e a verdade é que esta equipa manteve-se nestes três anos”, frisa.

Somar e seguir

O balaço da aventura do empreendedorismo é tão positivo que Francisco Pamplona acaba de abrir uma segunda unidade da MultiOpticas, na ilha da Terceira, desta vez na Praia da Vitória. A chegada à Terceira desta marca fez mexer a concorrência nas lojas de ótica da ilha. Nos últimos três houve ocorreram muitas mudanças, com a venda de lojas de óticas indiferenciadas e a entrada de outras multinacionais no mercado: “Mas nós continuamos a liderar! Não tenho medo da concorrência e abri esta loja para marcar posição, para perceberem que não estamos ali a brincar”, diz com orgulho.

A escolha da Praia da Vitória teve a ver com falta de oferta de serviços óticos neste local, uma região ligeiramente mais pobre que Angra e na qual se sente como peixe na água: “Nós somos bons a trabalhar a classe social baixa e também vamos aproveitar o turismo para incrementar o negócio. É um segmento de mercado ainda por explorar, em Angra é tudo muito mais urbano. São lojas de 100m2, porque ali ou se faz em grande ou não se faz. Como disse, trabalhamos muito o segmento médio/baixo, mas estamos a caminhar para o segmento alto”.

Será um novo tipo de cliente e essa é a motivação extra que precisa para trabalhar mais. Até porque apesar da abertura recente, já há mais planos no horizonte. Dentro de 18 meses a ideia é abrir uma terceira loja, mas desta vez no continente, na capital: “Sou de Lisboa, gosto da cidade e faz-me falta. Será um pretexto para cá voltar… Estou preparado para abrir em Lisboa e tenho com quem contar se isso acontecer. Tenho amigos com os quais me identifico e será fácil…”, remata.

Rentabilidade e bom senso

O financiamento é sempre um fator crítico quando se parte para um negócio próprio. Na primeira loja Francisco tinha apenas tinha parte do capital necessário, mas beneficiou de cofinanciamento, através de um programa de incentivo local que disponibilizou 60% do montante total do investimento. Para a segunda unidade já não foi necessário, uma vez que já reunia capitais próprios para a abertura.

“Considero-me sensato, não tenho tido sobressaltos, conto com os conselhos do meu pai… Já fiz investimentos em imobiliário, para dar alguma garantia, mas assim que esta segunda loja estabilizar quero pensar na expansão. Se tudo continuar a correr bem vamos renovar seguramente com a MultiOpticas. A Grandvision é grande empresa de ótica e está bastante à frente de tudo o resto. A componente de inovação é importante, para estar à frente concorrência. Esta é uma ótica que marca o passo, a começar no nível de coleções que disponibilizam. Têm uma visão e um plano muito bem estruturado do que querem e para onde querem ir e essa visão é partilhada pelos franqueados. Só temos de estar alinhados e seguir a onda!”, conclui.

Artigo publicado na edição de outubro/novembro da revista NEGÓCIOS & FRANCHISING

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