Como vencer o medo do franchising: da música para o empreendedorismo

Como vencer o medo do franchising: da música para o empreendedorismo

Bruno Coelho resolveu que nunca arriscaria num negócio próprio se não fosse em franchising: “Era quase condição, não me queria atirar de cabeça porque tinha experiência profissional, mas não em negócios”, explica. Abriu a sua unidade da Explicolândia em 2015, na Amadora, tirando partido da sua experiência profissional enquanto músico e professor. “Antes disso, quando era muito novo, trabalhei numa empresa da família, na área dos transportes, onde fiz um pouco de tudo, desde armazém a escritório. Mas resolvi seguir pelo caminho menos usual, a música.”

Não se identificando com os colégios e escolas onde ensinava, Bruno resolveu investir numa unidade da Explicolândia, depois de ter feito alguma pesquisa sobre franchising. “Escolher bem foi difícil, até chegar à Explicolândia encontrei muitas outras marcas com valores muito elevados ou então não me revia naquele modelo, sentia que não ia ter o apoio que precisava, que era só mais um.”

Mais seguro para investir depois de ter encontrado a marca para a qual trabalha atualmente, Bruno explica que a grande dificuldade foi mesmo obter financiamento. “É sempre difícil para um jovem na casa dos 30, mas bati a muitas portas e acabei por conseguir.”

O franchisado investiu cerca de 20 a 25 mil euros na abertura da sua unidade e, tal como os outros entrevistados, destaca a importância de “ter um bom fundo de maneio, porque os primeiros tempos são muito difíceis”. Acrescenta ainda que é bom ser realista, porque é fácil criar expetativas quando se investe por conta própria: “Tinha uma ideia um pouco fantasiosa de que ia entrar muita gente assim que abrisse a porta. A dada altura questionei-me se tinha feito a coisa certa”, confessa.

O apoio da marca foi sempre fundamental para ultrapassar as dúvidas, e sublinha que “há coisas que sentimos que se não tivéssemos o apoio da marca, teríamos que errar muito até encontrar o caminho certo”. Uma vez que a escolha da rede é, no seu entender, fundamental, Bruno salienta que é crucial visitar outros franchisados da marca e perceber se estes estão ou não satisfeitos.

Uma escolha meticulosa

Carlos Gouveia foi tão meticuloso neste ponto que não só visitou cinco outros franchisados, como também fez questão de escolher rigorosamente as suas localizações – esteve no Algarve, Coimbra e Porto, por exemplo -, de modo a perceber as diferentes realidades consoante a zona. “Queria ver se havia esse apoio da marca, que dificuldades sentiram, fiz esse trabalho que me parece essencial antes de fechar contrato.”

“Antes de pensarem em que área de negócio querem investir, os empreendedores devem ter formação específica nessa área. Têm que criar essas habilitações próprias, só a formação dada pela marca não chega.”

Franchisado da Decisões & Soluções, em Oeiras, há dois anos e meio, Carlos esteve ligado à área financeira durante 28 anos, até que a instituição para a qual trabalhava começou a ser afetada pela crise, entrando em processo de reestruturação. Insatisfeito com as atuais condições de trabalho, Carlos resolveu aproveitar os acordos de saída que a empresa estava a realizar com os seus funcionários para, como diz, “reestruturar a sua vida”.

Devido à sua profissão, o atual franchisado contactava frequentemente profissionais do ramo imobiliário e de mediação financeira, que eram clientes do banco onde trabalhava. Quando saiu do seu posto, começou a procurar mais informação e a visitar feiras de franchising. “Queria continuar no meio porque a minha formação era essa, mas o meu foco era o imobiliário. Inicialmente, até mais no sentido de comprar, remodelar e vender. Na Decisões & Soluções, estas três vertentes conciliam-se – a vertente financeira, de imobiliário e seguros”, diz. Além disso, acrescenta, pareceu-lhe ser um investimento mais seguro, já que os seus conhecimentos de imobiliário eram poucos e a rede já conhecia bem o mercado.

Os conselhos do empresário para quem quer abrir um negócio próprio são semelhantes aos dos outros entrevistados: conceber um plano de negócios muito prudente a nível de tesouraria e até relativamente às previsões do master, e ter extrema atenção à localização – mesmo na sua área de negócio, o franchisado garante que procurou um local com exposição pedonal para a sua loja.

“Se não tivesse o apoio da rede em toda a parte burocrática, acho que iria abrir com lacunas legais”, acrescenta. “Foi aí que senti que o apoio da rede era essencial.”

Tal como Duarte Correia, Carlos ressalta ainda as dificuldades de recrutamento de pessoal: “É muito difícil recrutar em Portugal, se calhar há desemprego a mais. Muitas das pessoas não aparecem nas entrevistas, o que nos faz perder tempo e foco no negócio.” Por este motivo, o franchisado afirma que os potenciais investidores têm de saber delegar funções – ao passar a contratação e até a formação de novas pessoas para outros departamentos, o franchisado consegue focar-se mais na gestão do seu negócio.

Apesar do “friozinho na barriga” que sentiu ao sair do seu antigo trabalho, Carlos afirma que a sua nova vida compensa: com 19 funcionários, tem como objetivo estabilizar a sua agência de Oeiras até ao final do ano e abrir outra, na linha de Cascais, em 2018.

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