Como vencer o medo do franchising: formação é fulcral

Como vencer o medo do franchising: formação é fulcral

Tal como o franchisado da 5àSec, Sónia Marques entrou para um negócio de família, que cresceu exponencialmente ao longo dos anos. Por este motivo, a franchisada da MultiOpticas tem um vasto nível de experiência para partilhar com quem está a pensar abrir um negócio.

Sónia formou-se em Engenharia Física e trabalhou em investigação durante dois anos. Muito antes disso, em 1978, os seus pais abriram a sua primeira ótica em Setúbal, tendo aberto outra, em Grândola, em 1986. Apenas três anos depois, o negócio familiar entrou para a rede de franchising espanhola MultiOpticas. “O nosso crescimento está muito ligado à entrada na rede”, garante Sónia, atual responsável pelo negócio.

Segundo a franchisada, o então diretor da rede galega teve a visão de preparar as próximas gerações para garantir a continuação do negócio. Foi nesse âmbito de estratégia da rede que tanto Sónia como o seu irmão mais novo, que entrou para o negócio familiar logo em 1993, realizaram formação específica na área. Sónia acabou por fazer uma pós-graduação em Optometria e foi integrada na rede durante um ano, passando por todas as áreas do negócio, desde vendas, oficina, áreas técnicas de ótica e coordenação de loja, o que considera ter sido “fundamental” para a sua integração na rede, que ocorreu em 1999.

Hoje, a original Óptica Pita, aberta pelos seus pais, faz parte de um grupo de cinco unidades franchisadas da Multiópticas, que também já inclui uma loja no Centro Comercial Alegro, em Setúbal. Embora não tenha sido ela a iniciar o negócio, Sónia é uma enorme parte do sucesso desta empresa familiar, e não deixa de sublinhar a importância da formação para os bons resultados: “Em primeiro lugar, antes de pensarem em que área de negócio querem investir, os empreendedores devem ter formação específica nessa área. Têm que criar essas habilitações próprias, só a formação dada pela marca não chega.”

Duarte Correia, da Charib, também é um firme defensor deste ponto, revelando que reserva mesmo umas horas, todas as quartas-feiras, para ler e pesquisar mais sobre a sua área de negócio.

“Se não tivesse o apoio da rede em toda a parte burocrática, acho que iria abrir com lacunas legais”

A única forma de vencer o medo de abrir um negócio é, segundo Sónia Marques, ter realmente vontade de arriscar, mas a franchisada alerta que o risco financeiro tem que ser muito bem ponderado. “Há uma forma muito fácil de averiguar isto: ver qual é o mínimo de faturação que temos de obter para fazer face às despesas, tal como num orçamento familiar. Ao termos um bom plano de negócios, podemos arriscar mais noutras áreas, como por exemplo no lançamento de um produto ou numa estratégia de marketing.”

Segundo a franchisada, isto é particularmente válido no caso de grandes investimentos, como o que realizou na Multiópticas, já que cada uma das óticas do seu grupo representou um investimento entre os 100 e os 200 mil euros. “Pensem bem em que zona e em que mãos vão pôr o vosso dinheiro”, aconselha.

Gostar do que se faz

Para a empresária, o trabalho também não pode ser visto como “castigo”, já que vai ser grande parte da vida do investidor. “Se vamos trazer trabalho para casa e trabalhar mais do que oito horas por dia, temos de gostar do que fazemos”, garante.

Outra característica que os potenciais empreendedores têm que ter é poder de antecipação. Em 2003, Sónia conta que a sua empresa passou por uma fase de reorganização, tendo-se adaptado às exigências do mercado através do cumprimento de uma norma específica da ISO (Organização Internacional de Padronização). Segundo a franchisada, foi este poder de antecipação e proatividade que permitiram à empresa sobreviver à aquisição da MultiOpticas, em 2005, por um grupo financeiro holandês (que trouxe novos desafios e toda uma nova forma de funcionamento para os franchisados) e também “à fortíssima crise financeira que se fez sentir uns anos mais tarde”.

“Ao termos um bom plano de negócios, podemos arriscar mais noutras áreas, como por exemplo no lançamento do produto ou numa estratégia de marketing”

“É muito importante o know-how, a localização e muito espírito de sacrifício”, sintetiza Paulo Ribeiro, franchisado da rede de supermercados Meu Super, parte da Sonae. “Convém salientar que a Sonae efetua gratuitamente um estudo de mercado, mas a localização é proposta pelo potencial franchisado.”

Paulo resolveu apostar no franchising da Meu Super porque esteve (e continua) ligado aos FMCG (fast-moving consumer goods ou bens de grande consumo) ao longo de toda a sua vida profissional. “Sempre obtive resultados nas poucas organizações em que trabalhei, pensei: ‘Porque não avançar por minha conta e risco?’ Sondei todos os players de mercado no conceito franchising e, à data, a Sonae MC foi a que mais me agradou. A ausência de royalties e fees foi para mim uma proposta muito interessante, além de que foi a primeira empresa a responder às minhas solicitações”, explica.

O franchisado abriu a sua primeira loja em Belas, em outubro de 2014. Em abril deste ano, abriu a segunda, no Cacém. “Após o bom desempenho da primeira loja e segundo a minha maneira de estar na vida, tinha duas alternativas, ou amortizava a divida à banca ou investia numa segunda loja”, nota.

Com um investimento de cerca de 100 mil euros por 100m2 para abrir uma unidade Meu Super, Paulo diz que o seu maior desafio foi mesmo obter financiamento: “O maior desafio foi o empréstimo à banca, porque, por si só, os meus capitais próprios não eram suficientes. A equipa Sonae afeta ao Meu Super foi uma mais-valia, porque não podendo interferir eticamente nessa fase inicial do negócio, facultam aos potenciais parceiros uma lista com fornecedores de equipamento. Depois é negociar…”

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