Comércio de rua em contraciclo

  /images/textoimagens/fullsize/3324.jpg O comércio de rua nas zonas prime de Lisboa e do Porto tem tido um desenvolvimento positivo e em contraciclo desde 2008, caracterizando hoje por uma evolução da qualidade da oferta, composta por menos lojistas independentes e por mais retalhistas internacionais e múltiplos.

 

Esta é a principal conclusão do estudo apresentado hoje (20 de julho) pela Cushman & Wakefield no seu Business Briefing sobre o comércio de rua em Portugal e que traça um retrato da oferta e procura atuais, em comparação com a realidade de 2008, altura em que foi pela primeira vez apresentado este estudo.

Em Lisboa, a principal oferta comercial situa-se na Av. Da Liberdade, rua Augusto e Rua do Fanqueiros, que entre as três agregam cerca de 100 mil m2 de espaço comercial, o que representa 68% da oferta.

No estudo, que auditou 885 unidades comercias, chegou-se ainda à conclusão que 44% da oferta nestas zonas prime de Lisboa dizem respeito ao setor da Moda (menos 5% que em 2008); seguido dos artigos para o lar, 12% (tendo aqui havido uma subida de 3% em relação à oferta de 2008) e restauração, 12%, que desceu um ponto percentual em relação a 2008. Outro dado interessante diz respeito à taxa de desocupação nestas áreas: 12%, ou seja, 17.500 m2 e que traduz um aumento de 3% em relação a 2008. Mas, se noutras alturas esta taxa de desocupação poderia ser vista com preocupação, atualmente, ela deve ser vista também numa perspetiva positiva, uma vez que a procura por parte dos retalhistas de espaços nestas "zonas comerciais" é bastante alto e, como fez questão de frisar Marta Esteves Costa, da Cushman& Wakefield, "as lojas que estão livres atualmente são aquelas que são mais pequenas, têm um layout mais difícil de adaptar às necessidades dos retalhistas, concentram-se essencialmente na Baixa e algumas em prédios que se encontram em reabilitação.

Assim, apesar de ainda haver uma predominância de lojistas independentes (com apenas uma loja), 43%, houve uma descida de 10% face a 2008. Estes espaços acabaram por ser aproveitados pelos retalhistas internacionais nestas zonas que cresceram 5%, assim como pelos retalhistas múltiplos (cadeias de lojas portuguesas), que cresceram 57% nestas zonas.

Quando questionada sobre o que estaria a impulsionar este regresso para a rua, Sandra Campos, responsável da unidade de Retalho da consultora, indicou diversos fatores, como o incentivo à reabilitação urbana dado pelas Câmaras que têm vindo a desenvolver ações como festivais e atividades que dinamizam as ruas e chama gente para as mesmas; a libertação de alguns espaços comerciais que vêm permitir a sua substituição por outros que trazem mais qualidade à oferta proporcionada; e a propagação das companhias low cost que trazem cada vez mais turistas para as cidades.

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