Confiança do consumidor desce e economia é principal preocupação

/images/textoimagens/fullsize/3596.jpg A confiança decresceu um ponto, mas 31 dos 56 mercados avaliados decresceram os seus índices, de acordo com os resultados do terceiro trimestre sobre a confiança do consumidor a nível mundial apurados pela consultora Nielsen.

 

"O 3.º trimestre foi instável e desafiador para as economias mundiais e mercados financeiros, entre a estagnação dos números sobre o desemprego nos EUA e o agravamento da crise da dívida da zona euro," afirmou Venkatesh Bala, chief economist, The Cambridge Group, pertencente à Nielsen. "Um espírito de recessão está a crescer por entre os consumidores na medida em que mais de metade diz que está presentemente em recessão – mais quatro pontos percentuais desde o último trimestre e sete pontos desde o início do ano. O resultado traduz-se numa contínua contenção para gastos discricionários, que se espera prolongar-se pelo próximo ano", acrescentou.

Na última vaga do inquérito, realizado entre 30 de agosto e 16 de setembro de 2011, a maioria dos inquiridos (64%) concorda que agora não é boa altura para comprar as coisas que querem e de que necessitam, com um em cada cinco europeus e um cada três norte-americanos a dizer que não têm dinheiro de sobra. O panorama para os consumidores nestas regiões é mais pessimista agora do que era na altura da recessão de 2009. Entre os inquiridos norte-americanos e europeus que creem estar em recessão, quase 60% acreditam que ela vai prolongar-se no próximo ano, mais do que os 54% do primeiro trimestre de 2009.

 

Aumentam preocupações com a economia

A economia surge como principal preocupação para 18% dos consumidores online a nível mundial. A segurança do emprego segue um pouco atrás para 14% dos consumidores, subindo cinco pontos percentuais desde há três meses. Gerir o equilíbrio emprego/vida pessoal, o aumento do preço dos bens alimentares e as preocupações com a saúde preenchem os cinco temas mais desgastantes para os inquiridos.

Na América Latina, as preocupações acerca da segurança do emprego (15%) e o crime (12%) levam vantagem sobre a economia (11%). No Médio Oriente/África, a segurança do emprego manteve o primeiro lugar nesta região, crescendo nove pontos, para os 20%. Na Ásia-Pacífico, a economia (18%) e a segurança do emprego (15%) subiram oito e sete pontos, respetivamente.

 

Intenções de gastos no futuro

Foi solicitado pela Nielsen que os inquiridos indicassem como é que iam gerir o seu orçamento mensal se este aumentasse ou diminuísse 10%.

Venkatesh Bala esclarece que os resultados foram "muito reveladores", referindo que os inquiridos "mostraram esmagadoramente que existe uma sensação de cansaço e um desejo contido por uma pausa; quando as famílias tinham um aumento de 10% no orçamento, mostravam o desejo de utilizar o dinheiro em categorias mais privilegiadas como ‘viajar/férias' (+29%) e ‘divertimento e entretenimento' (+20%). Também existe uma sensação de incerteza económica e uma necessidade de segurança, pelo que os consumidores também aplicariam nas suas ‘poupanças/investimentos' (+25%)."

Em sentido inverso, quando os orçamentos são reduzidos 10%, os consumidores dizem que vão gastar menos na área do "vestuário" (-21%) e em jantar fora (-18%). Os consumidores indicaram também uma redução nos gastos com ‘eletrónica e eletrodomésticos' (-14%). "Se o clima económico mundial piorar, estes três setores parecem particularmente vulneráveis", acrescentou.

 

Europa – Dificuldades a Ocidente/Melhoria a Oriente

"Na zona euro, o aparecimento da crise da dívida e a extrema instabilidade dos mercados financeiros está a fazer descer os níveis de confiança, particularmente em Portugal (40), Irlanda (64), Grécia (51) e Espanha (56), cada um deles reportando valores de confiança do consumidor bem abaixo da média europeia de 74", continuou Bala. Vários mercados registaram descidas de confiança de dois dígitos no último trimestre com a maior descida vindo de França, baixando 13 pontos do índice, para 56.

"Durante o verão, a crise da dívida Europeia causou uma forte incerteza entre os consumidores, especialmente em França onde o défice do orçamento está perto dos 5,8% do PIB e a taxa de desemprego ronda os 10%" afirmou Phillippe Guerrieri, country manager, da Nielsen França.

A região Nórdica também registou uma baixa na confiança, com a Dinamarca, Finlândia e Suécia a descerem no terceiro trimestre. A Dinamarca observou a maior descida, 12 pontos, desviando-se de um desempenho de índice 97 de média registado desde a recessão de 2009.

Contrariamente, vários países da Europa do leste resistiram à tendência de queda e nove dos dez mercados avaliados pela Nielsen tiveram aumentos de confiança.

Embora ainda abaixo da média europeia da confiança do consumidor, os países Bálticos da Letónia (69), Lituânia (71) e Estónia (72) registaram os maiores aumentos na região, subindo 12, 11 e seis pontos, respetivamente.

A Polónia também se libertou dos dois trimestres anteriores de quebra da confiança do consumidor e subiu oito pontos no terceiro trimestre, para um índice de 74. "A Polónia era o único país europeu que não tinha sofrido a recessão em 2009, mas nos últimos tempos foi atingida pela incerteza económica," disse Kyriakos Kyriakou, regional managing director, da Nielsen Europa de Leste. "As pessoas temeram o pior por causa do aumento do desemprego e da subida do preço do petróleo, bens alimentares e bens de primeira necessidade, mas agora aperceberam-se de que o receio pode ter sido exagerado e estão a tornar-se mais otimistas", acrescentou.

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