Empresas temem efeitos do aumento do IVA

 

/images/textoimagens/fullsize/3144.jpg O acordo entre Portugal e a ‘troika’ era necessário, salientam os responsáveis com quem falámos, mas reconhecem que os efeitos negativos sobre o consumo irão penalizar as empresas. Saudando a redução da taxa social única lamentam, todavia, a falta de mais medidas de estímulo à economia.

 

 

 

 

/images/textoimagens/fullsize/3144.jpg

 

O acordo entre Portugal e a ‘troika’ era necessário, salientam os responsáveis com quem falámos, mas reconhecem que os efeitos negativos sobre o consumo irão penalizar as empresas. Saudando a redução da taxa social única lamentam, todavia, a falta de mais medidas de estímulo à economia.

“Na minha perspetiva o pior para as empresas portuguesas era continuar num clima de incerteza com um novo PEC a cada mês”, defende Paulo Antunes, presidente da Associação Portuguesa de Franchise (APF), enquanto o presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), adianta: “o programa de assistência financeira a Portugal parece-nos equilibrado, face à realidade atual do país, e não é meramente punitivo, como se temia”.
Mas Francisco Maria Balsemão afirma que “a atividade empresarial vai ser prejudicada com o agravamento da carga fiscal” e considera que “a alteração da estrutura e das taxas do IVA, os novos cortes permanentes na despesa pública, as reduções das deduções fiscais das famílias e o aumento de outros impostos (como o IMI e o ISV) vão ter efeitos nocivos sobre a competitividade das empresas”. E o presidente da ANJE justifica: “haverá menor poder de compra, logo uma retração na procura interna e, consequentemente, maiores dificuldades para as empresas comercializarem os seus bens e serviços no mercado interno. Acresce a tudo isto a eliminação de várias isenções fiscais para as empresas, bem como a imposição de um limite à dedução de perdas”.
Também Paulo Antunes destaca que “vêm aí tempos difíceis, com retração do consumo e isso tem sempre impacto negativo na vida das empresas e o franchising não será exceção”. Mas refere que “apesar de insuficientes são dados alguns sinais de apoio à economia, nomeadamente ao nível da redução das contribuições para a segurança social das empresas”.

 

Inovação é fundamental
Os dois dirigentes também concordam em relação ao que as empresas devem fazer para ultrapassar as consequências negativas do compromisso. O presidente da ANJE frisa que “as empresas devem, cada vez mais, dirigir os seus bens e serviços para o mercado externo e subir na cadeia de valor, incorporando mais inovação nos processos de fabrico, elevando o perfil tecnológico de produtos/serviços, melhorando os modelos de gestão, valorizando o capital humano e apostando em elementos diferenciadores (design, marca, logótipo, etc.)”. Enquanto o líder da APF salienta que o franchising tem mostrado ser uma forma de sucesso de fazer negócio. “É preciso ter a consciência que precisamos de fazer de forma diferente senão corremos o risco de continuar a chegar aos mesmos resultados e aí o franchising tem muitas provas dadas e vai continuar a ser certamente uma forma de organização de sucesso, onde a competitividade é palavra de ordem”, afirma.
Os responsáveis referem, todavia, que no acordo faltam apoios à economia. “Lamentamos a ausência de medidas de estímulo e incentivo à produção de bens transacionáveis (para exportação, sobretudo, mas também para redução das importações) e à prestação de serviços capazes de competir nos mercados externos, dois fatores que consideramos determinantes para a recuperação económica de Portugal”, diz Francisco Maria Balsemão. EMÍLIA FREIRE

(Visited 11 times, 1 visits today)