Escritora diz que também se pode aprender com os negócios ilícitos

Ladrões, hackers, piratas informáticos e prostitutas têm todos uma veia empreendedora e muito para ensinar aqueles que se querem aventurar num negócio próprio. Quem o defende é Alexa Clay, autora do livro “A Economia dos Desajustados”, uma obra que explica de que forma é que os negócios ilícitos podem ensinar os empreendedores a vingarem no seu setor. 

Numa entrevista à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, a investigadora que estudou em Oxford, no Reino Unido, e na Brown University, nos EUA, explica que “o pensamento empreendedor está em todos os lugares. É usado por artistas, hackers, pessoas que vivem em favelas, profissionais do sexo e gangsters. Eles não têm medo de arriscar. São perseverantes, improvisadores e frugais. E são criativos na resolução de problemas.”

Para a investigadora, estes empreendedores “desajustados” são verdadeiramente empreendedores disruptivos.

“Muitos empreendedores convencionais pensam em si mesmos como rebeldes, mas são bem domesticados. No trabalho de pesquisa para o meu livro, que durou quatro anos, falei com vários empreendedores “desajustados”, depravados. São pessoas com um faro empreendedor incrível, mas que operam do outro lado da lei. A minha pesquisa foi uma forma de saber se nós poderíamos aprender sobre inovação e criatividade com esse pessoal do mercado negro e que ensinamentos podemos usar no nosso mundo.”

Mas como se pode fazer a ponte entre os “desajustados” e as empresas convencionais, que operam segundo mandam as leis? Para Alexa Clay, uma solução pode ser “conectar os sistemas prisionais a incubadoras. Muitos presidiários têm uma visão empreendedora. Administravam o tráfico de drogas, por exemplo, mas precisam de ajuda para aprender como podem desenvolver negócios legítimos. Grandes empresas estão, também, à procura de inovação fora das suas paredes.”