Helen Doron lança estúdios low cost para professores de inglês

O novo modelo de negócio da rede de centros de ensino de inglês implica metade do investimento e é uma oportunidade de autoemprego para professores sem colocação.

Muitos desempregados têm optado por trocar as voltas ao destino criando o seu próprio negócio. Mas a determinação de não baixar os braços, choca muitas vezes com os obstáculos que surgem pelo caminho. O primeiro e o mais importante é a falta de financiamento para arrancar com um novo projeto. Atentas a esta realidade, algumas marcas criaram modelos alternativos de negócio que exigem menos capital e, consequentemente, menos risco. Especializada no ensino da língua inglesa a crianças a partir dos três meses, a Helen Doron é um desses casos. Para responder às necessidades do mercado, a marca israelita acaba de lançar os Learning Studios, míni centros com valências semelhantes às que existem em unidades maiores mas com uma dimensão menor e um investimento low cost.

“Começámos há 25 anos com o modelo de Learning Center, concebido para localidades com cerca de 100 mil habitantes e requisitos mínimos, como por exemplo, ter duas salas de aula. Perante a alteração da realidade económica, decidimos lançar um modelo alternativo que respondesse às necessidades de outro perfil de franchisados”, explica Mariana Torres, responsável pelo master franchise da marca em Portugal.

Os Learning Studios foram pensados para cidades ou vilas com cerca de 20 mil habitantes e necessitam apenas de uma sala, o que significa que facilmente se adaptam a uma pequena loja e não obrigam à realização de obras dispendiosas, além disso os custos fixos que este modelo implica são substancialmente inferiores. Enquanto a licença para a abertura de um centro custa 12 mil euros, no caso dos estúdios esse valor é de 5 mil euros. No total, o investimento necessário ronda os 30 mil euros para o primeiro e 15 mil para o segundo. Além disso, o tempo estimado para o retorno do investimento nos centros é de 18 meses, enquanto nos estúdios é mais rápido, assegura a empresária. 

Solução autoemprego

Face a uma maior implantação dos Learning Center nas grandes áreas urbanas (Lisboa, Porto e Coimbra), este novo modelo de negócio vai permitir à marca chegar a outras regiões do país, a localidades rurais e a centros urbanos menores. Mariana Torres, que começou por abrir o seu próprio centro Helen Doron em Odivelas, acredita que os estúdios são uma oportunidade para professores de inglês no ativo que, sem colocação, colocados longe de casa ou insatisfeitos com as condições de trabalho, optem por uma solução de autoemprego. “O franchisado pode ser simultaneamente a pessoa que gere o negócio e que dá as aulas, por isso é importante que se trate de um profissional ligado ao ensino, preferencialmente de inglês”, acrescenta.

O método Helen Doron foi buscar o seu nome à inglesa, radicada em Israel, que o inventou e existe há 27 anos em todo o mundo. As escolas seguem um modelo de ensino concebido pela linguista que permite que crianças pequenas, desde os três meses de idade, possam aprender inglês da mesma forma que aprendem a sua língua materna, ou seja, através da audição repetitiva e do reforço positivo. Nas aulas, todos os exercícios são acompanhados por uma coreografia simples e uma canção alegre e a presença dos pais é permitida até aos cinco anos. A especificidade deste método implica que os professores tenham de passar por uma formação que, no caso dos estúdios, significa um custo acrescido de 700 euros.

Ainda que este negócio não passe ao lado da crise, a responsável pelo master franchise constata que os pais apostam cada vez mais neste tipo de atividades. “Por um lado, os pais estão muito preocupados com o futuro dos seus filhos e valorizam cada vez mais a aprendizagem de uma segunda língua, por outro, houve famílias que tiveram de transferir os seus filhos de escolas privadas para o ensino público e investem agora em atividades extracurriculares. Há ainda pais a planearem sair de Portugal, para países como o Dubai, e decidem preparar os seus filhos para entrarem na escola internacional”, conta.

Cada centro ou estúdio pode ainda estabelecer acordos com as escolas da sua região por forma a dar aulas nessas instituições. O Learning Center de Odivelas, por exemplo, tem 84 alunos internos e 150 externos. “Esta é uma forma de rentabilizar o tempo dos professores, que nos centros só têm aulas a partir das 17 horas”, acrescenta Mariana Torres.