Negócios com bicicletas

Se há meia dúzia de anos alguém pensasse em abrir um negócio em torno das bicicletas, o mais óbvio seria uma loja com algum serviço de oficina incluído. Hoje, com a explosão da ciclo cultura em Portugal, a bicicleta enquanto meio de transporte começa a fazer parte do léxico urbano. E, graças a esse fenómeno, vão surgindo várias empresas e projetos inovadores que fogem ao conceito mais tradicional de loja, respondendo às necessidades e exigências dos ciclistas. 

Não se inventou a pólvora. Pelo contrário, a proliferação das bicicletas nas ruas das cidades portuguesas é um fenómeno que tanto tem de moderno – do ponto de vista da ecologia e da mobilidade sustentável – como de regresso ao passado, a uma altura em que a bicicleta era usada como meio de transporte simples e prático, e não apenas um veículo de desporto e lazer.

E a verdade é que a bicicleta, mais do que uma moda, parece ser uma tendência para ficar. Seja por que razão for, o que é certo é que a bicicleta representa, para alguns empreendedores portugueses, o segredo e as rodas do negócio. Juntar diversas valências num mesmo espaço – como a vertente de cafetaria associada a uma loja de bicicletas, criar acessórios inteiramente inovadores feitos à mão – ou apostar em serviços diferenciadores – como um hotel para bicicletas, um táxi a pedal ou mesmo estafetas em bicicleta – são algumas das ideias que, primeiro por paixão, e depois por oportunidade, deram origem a negócios com muita pedalada.

E se um dia vir alguém a transportar uma planta de dois metros numa bicicleta de carga, isso pode muito bem ser uma entrega da Camisola Amarela. A empresa de estafetas em bicicleta de Pedro Ventura opera em Lisboa há cerca de cinco anos e, decorrido este tempo, continua a provar que sim, pedalar na cidade é possível, e sim, fazer entregas rapidamente também.

“Todas as pessoas ficavam a olhar na rua, causou bastante impacto”, recorda Pedro Ventura, falando da tal planta, e que com esta missão acabou por ganhar mais um cliente. “A própria florista a quem fizemos a entrega acabou por depois passar a recorrer aos nossos serviços, pois viu que era um objeto um pouco estranho e que mesmo assim chegou em condições”.

A promessa feita é simples: de bicicleta, a equipa de estafetas da Camisola Amarela não perde tempo em filas de trânsito, chega a qualquer ponto da cidade com as encomendas – desde que caibam nas malas ou nas bicicletas de carga – e fazem-no sem estacionar em segunda fila ou nos passeios e com zero por cento de emissão carbónica. Só vantagens, portanto. E a cidade fica mais bonita e agradece, dizem eles.

E Pedro Ventura acredita que sim, que os clientes particulares e empresas que recorrem à Camisola Amarela estão conscientes dessas vantagens e que procuram um serviço ecológico e sustentável. Quando abriu a empresa foi pioneiro no conceito de estafetas de bicicleta na capital. Hoje continua sem concorrência, tendo mudado este ano a sede para a Avenida 24 de julho, no mesmo espaço onde funciona a Rcicla Rentals.

Veja a reportagem completa na edição de outubro/novembro da revista Negócios & Franchising.