Quer preparar-se para a automatização? Não deixe de aprender

Quer preparar-se para a automatização? Não deixe de aprender

82% dos CEO’s acreditam que os Homens e as máquinas vão integrar as mesmas equipas de trabalho dentro de cinco anos. A conclusão consta do estudo ‘Realizing 2030’, apresentado pela Dell Technologies, que traça um retrato do futuro e da forma como os líderes globais veem a próxima Era de relações entre máquinas e humanos.

De acordo com o estudo, até 2030, as tecnologias emergentes deverão cimentar as parcerias entre humanos e máquinas, tornado estas relações mais envolventes do que antes. Segundo o relatório, as máquinas irão ajudar os humanos a ultrapassar as suas limitações, prevendo-se que a automatização de sistemas liberte tempo para o que realmente importa. Ainda assim, apenas 27% das empresas acreditam que estão na vanguarda, integrando a vertente digital em tudo o que fazem. 42% não sabem se vão conseguir competir na próxima década e a maioria (57%) luta diariamente para acompanhar o ritmo das mudanças.

Num artigo recentemente publicado na Harvard Business Review, Tiger Tyagarajan, CEO da Genpact, defende que, com o desenvolvimento da Inteligência Artificial e de outras tecnologias de automatização, os líderes terão, cada vez mais, a responsabilidade de ‘equipar’ a sua força de trabalho com as ferramentas necessárias para garantir a diferenciação entre os humanos e as máquinas, assim como a manutenção de determinadas profissões. Por outras palavras, se queremos vencer as máquinas, temos de continuar a aprender.

O Governo norte-americano já está a trabalhar para ajudar as empresas a sobreviverem aquela que é considerada a Quarta Revolução Industrial e, no início deste ano, apresentou a ‘American AI Initiative’, um guia com os desenvolvimento e investimentos necessários em várias áreas para garantir uma transição equilibrada para uma Era dominada pela automatização.

Neste documento é explicado que, para sobreviver, a força de trabalho terá de “investir em novas avenidas de educação e formação”. Além disso, o documento defende que “os executivos terão de ser melhores a fazer aquilo que pregam no que diz respeito à requalificação das suas equipas cujas profissões estão destinadas a mudar” e que o país “tem de investir no sistema de educação ao mesmo tempo que abraça uma cultura de aprendizagem contínua e de longo prazo”.

Tiger Tyagarajan alerta ainda para o perigo do foco exclusivo em competências técnicas e tecnológicas, referindo que na Era da Inteligência Artificial, serão as competências humanas que farão a diferença.

“À medida que as tarefas manuais se tornam mais automatizadas e os humanos mudam para abraçar papéis mais dinâmicos, os formadores e os líderes terão de aprender a questionar-se de forma constante: ‘Que competências irão garantir o sucesso num mercado de trabalho que se está a tornar cada vez mais virtual e cada vez mais ‘movido’ pela tecnologia?”, diz ainda.

A verdade é que são cada vez mais as empresas e as instituições de ensino que integram a Inteligência Artificial nos seus programas formativos. Contudo, os trabalhos do futuro vão precisar de muito mais competências do que ‘fluência’ digital e tecnológica. A diferenciação de pessoas no mercado de trabalho passará cada vez mais pela atitude e por soft skills como a inteligência emocional e a comunicação e por características como a autonomia, a confiança, a disciplina, a iniciativa, a flexibilidade e a eficácia pessoal.

A empatia é, claramente, uma área em que a IA ainda está em falha e que é a razão pela qual vamos ter sempre trabalhadores humanos que contribuam com um toque humano para o local de trabalho”, acrescenta o CEO da Genpact.

Se assim é, como podemos ajustar os sistemas de formação para contribuírem positivamente para a próxima geração de trabalhadores? De acordo com Tiger Tyagarajan, os líderes terão de se tornar ‘educadores de requalificação’. “Os líderes devem partilhar a responsabilidade de ajudar os seus trabalhadores a adotar um novo conjunto de ferramentas que permitam melhorar a retenção de colaboradores”, defende.

“A Quarta Revolução Industrial vai obrigar-nos a reaprender as melhores práticas de formação e desenvolvimento. A educação, desde a formação académica às formações técnicas, será tão fluída como os cargos para os quais nos estamos a preparar (..) Mantermo-nos curiosos vai ajudar-nos a estar à frente da curva de aprendizagem e vai permitir-nos ter acesso a novas oportunidades num mundo em constante mudança. Priorizar a nossa formação contínua não só nos traz uma vantagem no mundo de hoje, como garante a nossa relevância no mundo de amanhã”, conclui.

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