Um ano de resiliência para o franchising

2013 será um ano duríssimo para os portugueses. A economia entrou numa espiral recessiva e as más notícias irão permanecer constantes enquanto a política se fizer apenas de austeridade. As restrições ao crédito, o desemprego e a diminuição do consumo acentuaram as dificuldades da expansão das redes.

Este será um ano em que empresas tenderão a focar esforços na sua sobrevivência. Bruno Santos, diretor-geral da Trema, entende que esta situação será ainda mais notória nas “marcas que ainda não atingiram a maturidade e naquelas que são mais fortemente afetadas pela redução da procura”.

José Cavaleiro Machado, advogado da VVA-Advogados, sublinha que o caminho da sobrevivência passa “por segmentar o sistema de franchising em dois ou três modelos de negócio, de acordo com os critérios de investimento e capacidade financeira dos candidatos a franchisados”.

Esta estratégia tem vindo a ser adaptada desde o rebentar da crise financeira em 2008, quando as restrições ao crédito começaram a sentir-se fortemente. As marcas diminuíram os valores de direitos de entrada, baixaram os níveis de investimento e foram desenvolvendo opções de investimento mais baixas, muitas delas claramente com o objetivo de serem uma solução de autoemprego.

O objetivo é continuar a expandir as redes em território nacional e permitir a entrada de novos parceiros com menor capacidade financeira, mas sem necessidade de recorrer ao crédito e muitas vezes usando poupanças ou apoios do fundo de desemprego.

Carlos Santos, diretor do IIF, salienta a impossibilidade de recurso à banca e restando as “alternativas como o microcrédito, o Microinvest, o Invest+ e outros programas com valores limitados. Na minha opinião, o baixo investimento pode ser um bom negócio quando se trata de conceitos que basicamente estão estruturados para autoemprego, ou que implicam não mais do que duas ou três pessoas, recorrendo à subcontratação de serviços em função do volume de serviços prestados”. 

Os negócios de baixo investimento são uma tendência há vários anos e representam uma larga fatia das oportunidades em franchising. As restrições ao crédito impulsionaram ainda mais esta tendência. Mas apresentam desafios aos franchisadores em termos de retorno e viabilidade da rede.

Na opinião de José Cavaleiro Machado, “os conceitos de baixo investimento são uma tendência de resposta à crise por parte dos franchisadores. O que não acredito é que este tipo de conceitos sustente, por si, um negócio”.

O tempo dos micro negócios

Os conceitos com micro investimentos são uma das tendências que mais cresceram com a crise financeira. Não é um modelo de negócio novo e é bastante comum em muitos países, sobretudo, naqueles em que o acesso ao crédito é muito difícil e caro.

Em Portugal, a falta de financiamento bancário e a necessidade de criar soluções de autoemprego impulsionaram definitivamente este conceito. Paulo Antunes, presidente da Associação Portuguesa de Franchise (APF) alerta que “nestes modelos mais simples é imperioso que o franchisador, tendo embora menos recursos e receitas, tenha em mãos um negócio viável e consiga prestar à rede o apoio e os serviços indispensáveis. E é neste pouco, que por vezes, o microfranchising falha”.

José Cavaleiro Machado entende que este negócio deve acima de tudo ser encarado como uma parceria com cedência de uso da marca, mas com direitos e obrigações mais leves. “Face a um investimento quase inexistente, não se pode exigir ao franchisador um grande saber-fazer ou apoio técnico à rede, nem ao franchisado grandes compromissos concorrenciais ou de exclusividade”, conclui.

Crescer: missão impossível?

O ano não será de forte expansão de redes a nível nacional, embora algumas marcas irão abrir unidades e as que se destacarem pela inovação e criatividade terão maior capacidade de conquista de mercado. Paulo Antunes sublinha também que “este pode ser o momento ideal, não tanto para crescer em número de lojas, mas sobretudo para consolidar a rede atual, apoiar os franchisados, rever procedimentos, introduzir novos produtos ou serviços, enfim, criar condições para uma retoma mais pujante. O franchising não é só abrir lojas”.

O crescimento tenderá a ocorrer dentro da própria rede com os franchisadores a proporcionarem condições especiais aos melhores franchisados para que abram segundas e terceiras unidades.

A expansão internacional é o destino que se segue para quem tem asas para crescer. A capacidade do mercado interno deve estar desde sempre no planeamento estratégico e de expansão de uma rede em franchising. Não é só a crise que limita o crescimento em Portugal. A dimensão territorial e populacional esgota rapidamente as ambições de expansão e dimensão de uma rede.

O vice-presidente da Associação Nacional de Franchising (ANF), Bruno Santos, entende que a internacionalização das redes de franchising nacionais ainda está numa fase pouco madura, apontando que a maioria dos processos de internacionalização ocorreram apenas nos últimos cinco anos. 

Nos destinos nacionais, Espanha, Brasil e Angola são os mercados que Paulo Antunes da APF aponta como os mais importantes para as marcas nacionais. 

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