Este artigo é inspirado no texto de opinião da Rita Nunes , Country Manager da The Alternative Board em Portugal, que descreve com lucidez e coragem a relação entre o Estado e os empresários em Portugal. A partir dessa reflexão, buscamos aqui fazer uma leitura aplicada ao setor de franquias, mantendo o tom realista, mas apontando caminhos possíveis para quem continua empreendendo nesse país.
Vamos ser francos: em Portugal, quem tem um negócio sabe que o verdadeiro sócio de qualquer empresa não é quem investe capital, quem tem ideias, ou quem cria emprego. É o Estado. Um sócio que não investe um centavo, mas exige retorno constante — e que cobra primeiro, antes de saber se houve lucro.
Este “sócio invisível” aparece sob várias formas: IRC, IVA, TSU, derramas, taxas, contribuições para a Segurança Social, impostos municipais, taxas de inspeção, e por aí fora. Para quem lidera um negócio — seja um restaurante, um ginásio, uma loja, uma clínica, uma padaria — a lista parece interminável. E o pior? Os custos e obrigações multiplicam-se, mas o apoio raramente aparece quando é mais preciso.
Contudo, apesar deste contexto pouco estimulante, há um modelo que se tem mostrado mais resiliente: o franchising. E é precisamente aí que vale a pena colocar os holofotes.
O Franchising: uma forma inteligente de empreender em Portugal
Empreender em Portugal é, muitas vezes, um ato de coragem. Mas também pode ser um ato de estratégia. O franchising permite que quem quer criar seu próprio negócio se beneficie da experiência, processos, marca e reputação de uma rede existente. Não elimina os desafios — longe disso — mas reduz muitos dos riscos associados a começar do zero.
E é justamente quando o cenário macroeconômico ou legislativo é adverso, que o franchising revela sua força: há suporte jurídico, treinamento contínuo, sistemas testados, suporte de marketing e, acima de tudo, você não está sozinho.
O Estado não ajuda? As redes de franchising ajudam
É importante dizer: o problema não é pagar impostos. O problema é a forma como se exige sem retorno proporcional. Um empresário quer contribuir, sim. Mas também quer saber que há estabilidade, justiça fiscal, e apoio à produtividade. Quando isso não acontece, o que faz a diferença é ter um modelo de negócio com estrutura, orientação e suporte constante. E é aí que o franchising se destaca.
Enquanto o Estado impõe regras cada vez mais complexas, as redes de franchising criam manuais, simplificam processos e oferecem sistemas integrados de gestão. Enquanto o empresário independente tenta decifrar novas obrigações legais, o franchisado recebe alertas, acompanhamento e apoio técnico.
Realismo com otimismo: sim, é possível crescer em Portugal
Não vale a pena pintar tudo de preto. Apesar de todos os obstáculos, há empresas crescendo, redes se expandindo, e franqueados prosperando. Portugal continua a ter talento, espírito empreendedor e uma enorme capacidade de adaptação.
A verdade é esta: o franchising não é um bilhete dourado. Não resolve tudo. Mas é um caminho mais seguro, acompanhado, com um plano traçado. É também um modelo que tende a ser mais resistente em tempos de crise e mais rápido na retoma. E isso vale muito num país onde o apoio do Estado, quando chega, muitas vezes já vem tarde.
O que precisa mudar?
Precisamos de um Estado que perceba que as micro e pequenas empresas são o coração da economia. Que um empresário não é um criminoso em potencial, mas um gerador de emprego, inovação e receita fiscal. Que as regras não podem mudar todos os meses, e que a máquina fiscal deve ser clara, digital, eficiente — e humana.
Enquanto isso não muda, cabe-nos encontrar caminhos. E o franchising é, para muitos, um desses caminhos.
O que podemos afirmar é que o franchising se apresenta como forma de resistência e reinvenção. Se você é empresário ou pensa em empreender, tem que saber disso: o Estado vai continuar sendo o sócio silencioso e exigente. Mas você não precisa enfrentá-lo sozinho. Ao integrar uma rede de franquias sólida, você ganha não apenas um modelo de negócios, mas uma comunidade, uma estrutura e uma voz mais forte.
Sim, continuamos trabalhando em um sistema pesado, burocrático e muitas vezes injusto. Mas não estamos resignados. Através do associativismo, do compartilhamento de boas práticas, e da adoção de modelos colaborativos como o franchising, seguimos empreendendo — não por ingenuidade, mas por convicção.
Porque, mesmo com o Estado mordendo os calcanhares, há espaço para fazer bons negócios crescerem em Portugal. Com estratégia, rede e resiliência, transformamos obstáculos em combustível. E essa é a verdadeira arte de empreender em território português.

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