A AMRR, Associação de Marcas de Retalho e Restauração, revela que 82% das empresas dos setores do retalho e restauração considera muito provável ou quase certo de que venham a ter de despedir trabalhadores, caso não sejam apoiadas devido ao encerramento das atividades. O resultado é do mais recente inquérito da AMRR feito aos seus associados, representantes de mais de 3.500 lojas e restaurantes.
O inquérito revela ainda que 97% das empresas de retalho e restauração consideram importante ou muito importante que seja determinada a isenção ou o apoio no pagamento das rendas. Já 74% das empresas de ambos os setores assinalaram como importante ou muito importante o prolongamento das moratórias de crédito.
“Os empresários têm feito de tudo para salvarem os seus negócios e, sem receitas, continuam a pagar as rendas, fornecedores, custos fixos e parte do lay-off”, refere Miguel Pinas Martins, presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração. “Não é aceitável que os empresários tenham de recorrer aos despedimentos para manterem os seus negócios vivos, pelo que é urgente haver apoios efetivos”, acrescenta o responsável.
Após as declarações do Ministro da Economia sobre novos apoios, a AMRR “aguarda com expectativa, mas com cautela, as medidas concretas”.
A AMRR recorda que, no espaço de um ano, o comércio terá seis meses de faturação zero. Sendo que nos restantes seis meses, a faturação teve quedas médias de 40%, sendo que foram de 70% no mês de janeiro deste ano.
O franchising tem sido uma estratégia vital para a sobrevivência de muitas empresas, especialmente em setores como o retalho e restauração, que enfrentam grandes desafios econômicos devido à pandemia. A AMRR destaca que um grande número de empresas, muitas das quais operam em formato de franchising, correm o risco de despedir trabalhadores se não houver apoio governamental.
Diante de um cenário tão crítico, o apelo da AMRR sublinha a urgência de medidas concretas para proteger empresas e empregos em setores fortemente afetados. O modelo de franchising, embora ofereça vantagens como partilha de risco e suporte estruturado, não está imune às consequências da quebra de faturação e da sobrecarga financeira. Sem apoios eficazes, inclusive ao nível das rendas e do crédito, muitos franchisados poderão ser forçados a encerrar as suas unidades, comprometendo redes inteiras e milhares de postos de trabalho. A sobrevivência destes negócios depende agora de ações rápidas, coordenadas e justas por parte do Estado e dos parceiros económicos.



