O mundo mudou – e o franchising está a mudar com ele.
A pandemia acelerou transformações profundas nos comportamentos, nas prioridades e nas aspirações das pessoas, e essas mudanças refletem-se de forma clara no perfil dos novos candidatos a franchisado.
Já não basta ter um bom modelo de negócio e uma marca sólida: as redes que querem crescer precisam de entender quem é o franchisado do futuro, o que o motiva e como responder às suas expectativas com soluções mais flexíveis, digitais e com verdadeiro propósito.
ALÉM DO LUCRO
Vivemos num período em que as novas gerações procuram mais do que lucro.
A geração millennial (nascidos entre 1981 e 1996) e a geração Z (nascidos a partir de 1997) representam já uma fatia crescente dos candidatos a franchisado. Têm competências digitais, maior mobilidade, e um olhar crítico sobre os modelos tradicionais de trabalho. Procuram autonomia, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e — acima de tudo — sentido no que fazem.
Estas gerações valorizam marcas com identidade, causas com as quais se possam alinhar e oportunidades que respeitem a sua liberdade criativa.
O franchising, para ser atrativo, precisa de se apresentar como uma via para o empreendedorismo com suporte, e não como uma mera replicação de processos engessados.
A rigidez dos manuais operacionais, a pouca margem de inovação local e o foco exclusivo no retorno financeiro afastam muitos destes perfis.
PÓS-PANDEMIA
Verificamos que o pós-pandemia traz novas motivações.
A pandemia levou muitas pessoas a reavaliar o seu futuro profissional. A procura de segurança, mas também de liberdade, fez disparar o interesse por modelos de negócio testados, mas que permitam alguma personalização.
Muitos dos novos candidatos são ex-quadros médios e superiores, pessoas com experiência e competências, que não se revêem no regresso à rotina corporativa.
Além disso, a pandemia expôs vulnerabilidades económicas e sociais, e trouxe à tona um desejo mais profundo de contribuição. Marcas com impacto ambiental positivo, com propostas sociais claras ou com modelos de consumo consciente estão a captar mais atenção.
FLEXIBILIDADE
Passamos a ter uma nova palavra de ordem – flexibilidade. A flexibilidade tornou-se uma exigência. Seja na forma como o franchisado pode gerir o negócio (horários, local de operação, digitalização), seja nos próprios modelos de franchising que se adaptam a diferentes estilos de vida.
Franchisings home-based, modelos híbridos (presencial/digital), microfranquias de baixo investimento e operações que podem ser geridas remotamente estão a ganhar terreno.
Este tipo de soluções reduz barreiras à entrada e acomoda as preferências dos novos empreendedores, que valorizam mais o controlo do seu tempo do que a gestão tradicional de uma loja física.
O digital passa a ser um aliado — e como base.
Não é apenas uma questão de presença online. As novas gerações esperam que toda a experiência de ser franchisado seja digitalmente integrada: desde o processo de candidatura até à formação, suporte, análise de dados e marketing local.
Ferramentas como CRMs, apps de gestão, academias de formação online e suporte por canais digitais já não são um “extra”: são o novo normal.
Redes que investem em tecnologia ganham vantagem não só pela eficiência operacional, mas por se apresentarem como marcas modernas, preparadas para o futuro.
E O PROPÓSITO?
A palavra “propósito” entrou definitivamente no vocabulário dos empreendedores.
Já não se trata apenas de vender um produto ou serviço, mas de fazer parte de algo maior. Marcas que conseguem comunicar com clareza o seu “porquê”, que têm uma visão de futuro e um compromisso ético ou social, conseguem atrair franchisados mais alinhados, mais motivados e, no longo prazo, mais leais.
O franchising do futuro não será apenas uma extensão da marca-mãe — será um ecossistema colaborativo, com empreendedores que escolhem uma marca porque acreditam nela, e não apenas porque promete retorno financeiro.
Concluindo, o franchisado do futuro já está à porta — e ele pensa de forma diferente.
As redes que querem crescer de forma sustentável precisam de compreender profundamente estes novos perfis e adaptar os seus modelos, comunicação e suporte às expectativas de uma nova geração empreendedora. A flexibilidade, o digital e o propósito deixaram de ser tendências: são requisitos essenciais para a próxima fase do franchising.

Mais notícias sobre a APF – Associação Portuguesa de Franchising.
Assine a newsletter do Infofranchising e receba notícias exclusivas do mundo do franchising e negócios em Portugal: https://www.infofranchising.pt/newsletter/
Aceda ao Canal do WhatsApp e receba em primeira mão as notícias do portal Infofranchising: https://bit.ly/Canal_Infofranchising




