Mulheres investidoras no franchising: liderança, visão estratégica e novas oportunidades de crescimento

Por Ricardo Lombardi, Infofranchising - Portugal
09/07/2026

Durante muito tempo, quando se falava de mulheres no franchising, a conversa ficava muitas vezes presa à ideia de participação. Era importante mostrar que havia mulheres no setor, que havia franchisadas de sucesso, que havia gestoras competentes e que o franchising podia ser também um caminho para o empreendedorismo feminino.

Essa conversa continua a ser necessária, mas já não chega.

Hoje, a questão mais relevante não é apenas saber quantas mulheres participam no franchising. É perceber que lugar ocupam, que decisões tomam, que redes influenciam e que impacto têm no crescimento das marcas. O verdadeiro avanço acontece quando deixamos de falar apenas de presença e começamos a falar de liderança, investimento e influência empresarial.

O franchising é, por natureza, um modelo de expansão. Vive da capacidade de replicar negócios, criar redes, transferir conhecimento, formar equipas e construir relações de confiança entre diferentes pessoas e mercados. Por isso, é também um território muito interessante para mulheres com visão estratégica. Não apenas para quem procura abrir uma unidade, mas para quem quer liderar operações, desenvolver marcas, investir em redes, internacionalizar conceitos ou participar em decisões de crescimento.

Há uma mudança silenciosa, mas importante, a acontecer. Cada vez mais mulheres olham para o franchising não como uma alternativa menor ao empreendedorismo tradicional, mas como uma plataforma de escala. Uma forma de entrar num negócio com estrutura, mas também com espaço para acrescentar gestão, inteligência comercial, sensibilidade ao cliente, capacidade de liderança e visão de longo prazo.

Esta mudança é muito importante para o setor.

As mulheres que chegam hoje ao franchising trazem, muitas vezes, percursos profissionais sólidos. Algumas vêm da gestão, do retalho, da banca, da consultoria, da educação, da saúde, da tecnologia ou da comunicação. Outras já lideraram equipas, geriram orçamentos, abriram mercados ou tomaram decisões complexas dentro de empresas. Quando estas mulheres entram no franchising, não procuram apenas “ter um negócio”. Procuram construir uma etapa empresarial com sentido, rentabilidade e impacto.

Também por isso, o setor precisa de saber falar com este público de forma mais madura.

As mulheres investidoras não precisam de mensagens simplificadas, nem de discursos excessivamente emocionais. Precisam de informação clara, acesso a oportunidades credíveis, redes de contacto qualificadas, exemplos reais de liderança e espaços onde possam discutir negócio com profundidade. Precisam de ser vistas como decisoras, não apenas como inspiração.

É aqui que o franchising pode ganhar muito.

Uma rede que valoriza a diversidade de perfis tende a ser mais forte. Não porque a diversidade seja apenas uma palavra bonita, mas porque diferentes experiências trazem diferentes formas de analisar risco, gerir pessoas, comunicar com clientes e construir cultura. Em muitos casos, as mulheres líderes têm uma capacidade muito particular de combinar visão estratégica com atenção ao detalhe operacional. E no franchising, essa combinação é preciosa.

O sucesso de uma rede não depende apenas da abertura de novas unidades. Depende da qualidade da operação, da consistência da marca, da relação com os clientes, da gestão das equipas e da capacidade de adaptação ao mercado local. São dimensões onde a liderança tem um peso enorme. E é por isso que o papel das mulheres no franchising deve ser visto numa lógica de crescimento empresarial, não apenas numa lógica de representação.

Women Global Franchise

A Women Global Franchise nasce precisamente deste entendimento. A WGF não existe apenas para celebrar mulheres. Existe para criar uma plataforma internacional de ligação, conhecimento e influência, onde mulheres ligadas ao franchising possam partilhar experiência, construir oportunidades, fortalecer a sua visibilidade e participar na evolução do setor a nível global.

O mundo do franchising precisa de mais mulheres em posições de decisão. Precisa de mais franchisadoras, master franchisadas, investidoras, diretoras de expansão, consultoras, advogadas, gestoras de operações, líderes associativas e representantes internacionais. Mas, acima de tudo, precisa de criar condições para que estas mulheres não estejam isoladas.

A liderança cresce mais depressa quando existe rede. Cresce quando há acesso a informação, contactos, exemplos e oportunidades. Cresce quando uma mulher que está a desenvolver uma marca em Portugal pode conversar com outra que está a expandir uma rede no Brasil, em Espanha, nos Estados Unidos, no México, na Índia ou na Austrália. Cresce quando se cria uma comunidade com ambição empresarial e não apenas com boa intenção.

Futuro do setor

O franchising oferece uma linguagem comum. Fala de marca, método, expansão, contrato, território, formação, rentabilidade, operação e relação humana. A WGF pode acrescentar a essa linguagem uma dimensão global, feminina e estratégica, sem perder o foco no que realmente importa: negócios sustentáveis, líderes preparadas e redes mais fortes.

As mulheres investidoras e líderes no franchising não são uma tendência decorativa. São parte essencial do futuro do setor. O desafio está em garantir que esse futuro é construído com seriedade, visibilidade e espaço real de decisão.

A próxima etapa já não é perguntar se as mulheres têm lugar no franchising. Têm. A próxima etapa é perguntar como podemos acelerar a sua influência, aumentar a sua presença nos fóruns certos e transformar essa liderança em crescimento económico, inovação e impacto internacional.

É esse o caminho que a WGF quer ajudar a construir: uma rede global onde mulheres líderes no franchising possam pensar maior, agir com mais confiança e ocupar o espaço empresarial que o seu talento, experiência e visão justificam.


Cristina Matos é CEO da Associação Portuguesa de Franchising e Secretária-Geral do World Franchise Council para o mandato de 2026-2028.

 

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