
Imagem: MELOM
A reabilitação urbana deve ser encarada como um investimento orientado para a criação de valor a longo prazo e não apenas como uma alternativa de menor custo à construção nova. A análise é de Vasco Magalhães, Diretor-Geral da MELOM, que alerta para os riscos de decisões baseadas exclusivamente na redução do investimento inicial.
Num contexto marcado pelo aumento dos custos da construção e pelo envelhecimento de uma parte significativa do parque habitacional português, a qualidade das intervenções assume uma importância crescente. Para a MELOM, rede especializada em obras e reabilitação, o desafio passa por substituir a lógica do menor preço pela procura de soluções capazes de garantir maior durabilidade, eficiência e valorização dos imóveis.
“Reabilitar não deve ser sinónimo de gastar menos. Deve ser sinónimo de investir melhor”, defende Vasco Magalhães.
Menor investimento inicial pode representar custos futuros
A pressão sobre os custos tem levado proprietários e investidores a procurar alternativas que permitam reduzir o orçamento das obras. No entanto, segundo a MELOM, determinadas poupanças realizadas durante a execução podem resultar em despesas significativamente superiores ao longo da vida útil do imóvel.
Um dos exemplos está na escolha dos materiais. Quando o preço se torna o principal critério de decisão, podem ser utilizadas soluções com menor durabilidade, maior necessidade de manutenção ou desempenho inferior.
O mesmo princípio aplica-se às decisões técnicas. Problemas relacionados com impermeabilização, isolamento, ventilação ou soluções estruturais podem não ser imediatamente perceptíveis após a conclusão da obra, mas manifestar-se alguns anos mais tarde e exigir intervenções adicionais.
Neste sentido, o custo real de uma reabilitação não deve ser analisado apenas a partir do orçamento inicial. Manutenção, consumo energético, conforto dos utilizadores e valorização patrimonial são factores que também influenciam o retorno do investimento realizado.
Reabilitação urbana vai além da componente estética
Outro aspecto destacado pela MELOM é a necessidade de ultrapassar uma visão essencialmente estética da reabilitação urbana.
A renovação de fachadas, revestimentos ou acabamentos pode melhorar a percepção do imóvel, mas não significa necessariamente que tenham sido resolvidos problemas estruturais, energéticos ou funcionais.
Uma intervenção planeada a longo prazo deve partir de uma avaliação integrada do edifício, incluindo a estrutura, eficiência energética, redes técnicas, sistemas de conforto e durabilidade das soluções adoptadas.
Esta abordagem ganha particular importância num mercado imobiliário em que a qualidade e a eficiência dos imóveis têm impacto não apenas nas condições de utilização, mas também na sua capacidade de preservar ou aumentar valor ao longo do tempo.
Qualidade das intervenções ganha importância no mercado
A reabilitação urbana deverá continuar a ocupar um lugar relevante no desenvolvimento das cidades portuguesas, sobretudo perante a necessidade de recuperar edifícios existentes e adaptar o parque imobiliário a novas exigências de eficiência, segurança e conforto.
Para proprietários e investidores, isto significa que a análise de uma obra deve considerar um horizonte mais amplo do que o momento da execução.
“Na MELOM, acreditamos que reabilitar bem é criar valor duradouro. E isso exige conhecimento técnico, planeamento rigoroso e uma visão de longo prazo que vá muito além do custo inicial da obra”, afirma Vasco Magalhães.
A perspectiva reforça uma mudança na forma como a reabilitação urbana pode ser encarada: não apenas como uma despesa necessária para recuperar um imóvel, mas como uma decisão de investimento capaz de influenciar os custos futuros, a eficiência do edifício e o seu valor patrimonial.
Para empresas que operam no sector das obras e da reabilitação, incluindo redes organizadas em modelo de franchising, esta evolução coloca também maior ênfase na profissionalização, na capacidade técnica e na padronização da qualidade dos serviços prestados.
Num mercado em que o preço continua a ter um peso significativo na decisão do consumidor, a capacidade de demonstrar o valor económico de uma intervenção bem planeada poderá tornar-se um importante factor de diferenciação.
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